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Transformando lixo em cidadania.

28 de dezembro de 2018

Economia Solidária: Redesol MG é modelo de gestão, em Belo Horizonte

Apresentação foi acompanhada por dezenas de integrantes do Fórum (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) reúne há quase uma década empreendimentos de catadores do estado. Nesse tempo, o trabalho coletivo proporcionou uma gestão de bons resultados, fato que tornou a rede um exemplo para a economia solidária da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Com o objetivo de compartilhar a experiência da organização dos catadores filiados e os avanços conquistados nos últimos anos, a Redesol MG foi convidada para fazer uma apresentação no Fórum Municipal de Economia Solidária de Belo Horizonte, realizado na terça-feira (20/11), no Centro Público de Economia Solidária.

A presidente da Redesol MG e da Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha Ltda (Coomarp Pampulha), Ivaneide da Silva Souza, destacou a necessidade de os trabalhadores se formalizarem. Para ela, foi a partir desse momento que os catadores passaram a ter avanços significativos dentro da cadeia produtiva. Hoje, alguns setores da economia solidária desempenham sua atividade sem formalização jurídica.

Ela revelou que, desde a formação do seu grupo, ele faz parte do espaço do fórum. “Antes, eu não conseguia entender o que falavam, achava que fazia parte de outro mundo, que não tinha relação. Falava de artesanato, feira, costura, menos de reciclagem. Com o tempo, descobri que nos empreendimentos a gente pratica a economia solidária. Começamos a entender que deveríamos estar bem mais próximos e ligados à isso”, disse.

Catadores contaram a experiência solidária dos empreendimentos (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Durante sua apresentação, ela destacou características essenciais do trabalho solidário e organizado: cooperação, democracia, solidariedade e empreendedorismo. Diferente de empresas capitalistas, nas cooperativas e associações de trabalhadores há uma justa distribuição dos resultados, oportunidade para desenvolvimento das pessoas e condições para melhoria de vida.

Foi tendo em vista o desenvolvimento desses valores que a Redesol MG foi constituída. Segundo Ivaneide, quando há a união, o potencial dos catadores aumenta. “A rede se uniu para representar um interesse coletivo e aumentar a amplitude do trabalho dos catadores para conquistar projetos e avanços. Quanto mais a gente se une, mais resultado positivo a gente consegue”, disse.

Com orgulho, Silvana revelou a satisfação de estar na economia solidária (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Para a catadora da Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli-Barreiro), Silvana Maria Leal, o trabalho coletivo é diferenciado. “Aqui na Redesol nós somos solidários com todos os companheiros. Há um intercâmbio de boas experiências. No trabalho coletivo o que me encanta é estarmos dentro de uma economia diferente. É com orgulho que falo e participo”, contou.

A gestora do Centro Público de Economia Solidária de Belo Horizonte, Neuzanete Souto, classificou os catadores da Redesol MG como modelo de persistência e trabalho. “Sempre em alguma formação, cito a Redesol. Nós entendemos que ficar sentados ouvindo o outro pode ser desconfortável, mas depende de qual interesse no que está sendo discutido. Eles chegam aqui por volta das 8h30 da manhã e saem às 17h. Eles sentam nessa mesa e quando saem, têm um planejamento. Eles, pra mim, são exemplos”, disse.

27 de dezembro de 2018

Coleta Seletiva com inclusão dos catadores é realidade, em Jequitibá/MG

Passeata marcou lançamento do serviço, em Jequitibá (Foto: Karla Gonçalves/Prefeitura de Jequitibá)

O município de Jequitibá, localizado a cerca de 110 km de Belo Horizonte/MG, deu um passo importante para o tratamento correto dos resíduos sólidos. Em parceria com a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Baldim (Comarb), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), a Prefeitura de Jequitibá lançou, na quarta-feira (31/10), o Programa de Coleta Seletiva “Jequitibá Recicla”.

A coleta começou para valer na segunda-feira (10/12). Ela é realizada nas segundas e quintas-feiras. Após muito tempo de reivindicação, a catadora da Comarb, Elena Candeia, conta que o sentimento é de dever cumprido. “Estávamos há três anos lutando pela implantação da coleta seletiva com a participação dos catadores”, revelou.

Para a presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, é um grande avanço para a associação, pois vai mudar pra melhor a forma de trabalhar com os resíduos sólidos. “Não é possível o catador triar o material in natura, pois ele traz uma condição de vida muito ruim para esse catador. Em Jequitibá era essa situação. A coleta seletiva é um avanço, é o primeiro passo, pois o que buscamos mesmo para a sustentabilidade do grupo é a contratação pelo serviço de coleta e triagem de materiais”, ponderou.

Para que o diálogo fosse contínuo e tivesse embutido a expertise dos catadores, a Redesol MG e o Programa Novo Ciclo foram atuantes no processo de sensibilização dos gestores municipais. Em junho, começou a ser elaborado o Plano de Mobilização para a Coleta Seletiva, criado pela rede, onde foram elencadas as potencialidades de Jequitibá e também os diversos parceiros dentro da cidade.

“Foi um dos municípios que avançaram com o plano, aproveitaram bem essa oportunidade. É um resultado bem positivo desse processo que a Redesol vem construindo com as bases, visamos fortalecer os empreendimentos, por meio da implantação de coleta seletiva, com melhor qualidade de materiais para as unidades. Isso proporciona melhor renda e melhor qualidade de vida”, disse Ivaneide.

Redesol MG e Programa Novo Ciclo auxiliaram na implantação da coleta seletiva (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

“Fiquei muito emocionada porque almejo esse momento há muito tempo. A Comarb tem quase dez anos de luta e agora vemos nosso sonho ser realizado. Atuamos há apenas três anos em Jequitibá. Foi muito bom poder contar com pessoas que nos acompanham desde início para nos prestigiar neste lançamento”, revelou Elena Candeia.

Lançamento reuniu catadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Foto: Karla Gonçalves/Prefeitura de Jequitibá)

A implantação da coleta seletiva se desenha com o potencial de mudar a realidade diária dos catadores da Comarb. Até então, o galpão recebia todo o resíduo domiciliar da população para os catadores retirarem dele o material reciclável, em uma situação irregular e nociva à saúde. Com a disponibilidade do serviço, os trabalhadores poderão destinar tempo e energia para a separação dos materiais recicláveis diretamente para a comercialização.

Dia do lançamento contou com passeata

No dia do lançamento, foi realizada uma passeata pelas principais ruas da cidade com objetivo de chamar a atenção da população para a novidade em Jequitibá e também para conscientizar sobre o risco da dengue. Houve a participação de alunos e funcionários da Escola Municipal Lourismar Palhares Machado e Escola Estadual Professor Vitor Pinto. A ação foi realizada pelas secretarias municipais de Saúde e de Meio Ambiente de Jequitibá.

26 de dezembro de 2018

Parceria da Redesol MG com Instituto Unimed-BH vai disponibilizar assessoria jurídica aos catadores

Oportunidade reuniu catadores das bases da rede (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) e o Instituto Unimed-BH entraram em uma nova fase da parceria de longa data e de bons frutos para os catadores da rede. Na segunda-feira (10/12) foi assinado o termo cooperação que prevê a contratação de uma assessoria jurídica para atualizar a documentação dos empreendimentos filiados à Redesol MG.

A presidente da rede, Ivaneide da Silva Souza, explicou que a reformulação da documentação é uma necessidade prevista no Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), Lei nº 13.019/2014. “A gente tem uma demanda desde quando houve a reformulação MROSC, que as cooperativas deveriam fazer adequações nos estatutos. Pra isso, a gente precisava contratar uma assessoria jurídica que dominasse esse assunto para assessorar os empreendimentos”, contou.

Pela terceira vez, Redesol MG e Instituto Unimed-BH assinam termo de cooperação (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Outro ponto de destaque para essa parceria é a recente realidade da rede com contratações nos municípios, como revelou Ivaneide. “Muitas prefeituras vêm mostrando essa possibilidade de contratação dos empreendimentos pelos serviços prestados e uma das exigências é o estatuto estar atualizado. Então, pra gente é bem importante, porque muitas vezes o empreendimento não tem recurso para contratar uma assessoria para fazer as alterações”, disse.

A comercialização direta para a indústria recicladora, como apontou a analista de desenvolvimento sociocultural do Instituto Unimed-BH, Sheila Aparecida Silva Gonçalves, também é um fator que exige a regulamentação. “O apoio jurídico é uma parte importante para o desdobramento para chegar nessa cadeia de comercialização com a indústria e prestação de serviço para as cidades”, disse.

O diretor da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), Anderson Viana, aproveitou a oportunidade para demonstrar o contentamento em levar a parceria do Instituto Unimed-BH para o interior. “Estamos felizes em levar o Instituto Unimed para as cidades do interior onde há a Redesol. Ficamos muito felizes em saber que vocês estão acreditando na rede”, disse.

“Particularmente, temos um carinho especial pelo trabalho de vocês. É o trabalho, esforço, seriedade e a dedicação de cada um que fez com que vocês conquistassem os avanços dos últimos anos. Ficamos muito felizes em ajudar a construir e fazer parte dessa história”, enfatizou Sheila.

Parceria de longa data

Ao longo do seu desenvolvimento, a Redesol MG contou com parceiros fundamentais para que pudesse chegar a ser uma referência em gestão solidária de resíduos sólidos em Minas Gerais. Além da mais nova parceria com o Instituto Unimed-BH, a instituição apoiou a rede em outras oportunidades, que datam de 2009, quando foi implantada a coleta seletiva na área administrativa da Unimed e a rede apresentada ao instituto, como contou Sheila.

“A gente começou a se questionar sobre a destinação desse resíduo. Foi quando conhecemos a realidade dos catadores, por meio da Associrecicle-BH. Através dela, nós conhecemos a Redesol. Percebemos então que essa iniciativa de cunho ambiental tinha também um desdobramento social. Nós por sermos por essência da cooperativa e acreditarmos nessa força, vimos a oportunidade de contribuir e ajudar no desenvolvimento da rede”, disse.

Para Sheila, parceria vai contribuir para futuras conquistas da Redesol MG (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

O primeiro projeto desenvolvido teve como objetivo apresentar a rede para a cidade, por meio do desenvolvimento da marca. Foi quando a identidade visual foi criada. A segunda consistiu em uma capacitação administrativa, com a implementação do software de gestão CataFácil, juntamente com o treinamento para utilização nos empreendimentos.

“Saber que tem um parceiro que nos escuta, procura saber a necessidade da rede para fazer os investimentos. Ele não impõe, é a gente que diz qual a necessidade para atuar. Eles têm uma responsabilidade social, um entendimento bem bacana. Tem sido de fundamental importância para vários projetos que eles apoiam”, avaliou Ivaneide.

14 de dezembro de 2018

Adequação da infraestrutura da Unicicla aos catadores é tema do Fórum Lixo e Cidadania de Nova União

Fórum Lixo e Cidadania de Nova União se destaca na Região Metropolitana (Foto: Divulgação/Unicicla)

O ano de 2018 foi de avanços para os catadores da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG). Grande parte se deve às discussões do Fórum Municipal Lixo e Cidadania, que proporcionou reconhecimento perante a população e ao poder público. Na segunda-feira (12/11), foi realizada a última reunião do ano, na Câmara Municipal de Nova União, que contou com a presença de lideranças locais e representantes de entidades da região metropolitana.

Para o diretor da associação e um dos organizadores do Fórum, Anderson Viana, o momento proporciona visibilidade ao trabalho e reflete positivamente na relação com os moradores. “Quando realizamos o fórum, reunimos muitas lideranças. Dentro do município, causa uma sensibilização maior da comunidade para a separação dos materiais. Dá um destaque para a Unicicla, renova as expectativas e motiva o grupo”, revelou.

O fórum é um importante espaço para elaboração coletiva de políticas públicas relacionadas à destinação correta dos resíduos sólidos e à valorização do trabalho dos catadores, que em 2018 deu um salto importante. Em julho, os catadores da Unicicla assinaram contrato com prefeitura de Nova União e passaram a ter garantida uma renda mensal pelo serviço prestado. A primeira reunião do fórum neste ano, realizada em março, foi fundamental para esclarecer juridicamente sobre a viabilidade da contratação, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Em março, o promotor de justiça André Sperling explicou sobre a contratação (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Dessa vez, a pauta que norteou o encontro foi em torno da infraestrutura do galpão de triagem. A apresentação das condições de trabalho da Unicicla foi feita pela equipe do Projeto Cuidar, desenvolvido pela rede global WIEGO (Mulheres no Emprego Informal: Globalizando e Organizando). A iniciativa realizada em empreendimentos filiados à Redesol MG diagnosticou a saúde ocupacional dos catadores. Na ocasião, foi informado aos participantes do fórum sobre as dificuldades enfrentadas diariamente na Unicicla e também esclarecida a necessidade de adequação do local à realidade dos catadores.

Equipe do Projeto Cuidar apresentou o diagnóstico sobre a saúde dos catadores (Foto: Divulgação/Unicicla)

Galpão de triagem em Nova União

A Unicicla existe há pouco mais de três anos. Quando foi fundada, a área que abriga o galpão contemplava também o lixão do município. Com o fechamento do local irregular, juntamente com a destinação correta dos resíduos para o aterro, a área ficou apenas para a atividade dos recicladores. Entretanto, o espaço para triagem não possui paredes, apenas uma cobertura que não é capaz de proteger os catadores e os materiais das chuvas e dos efeitos do sol em dias de muito calor.

“Hoje a estruturação do galpão é algo necessário, porque a situação é precária. O fato de o piso ser de terra, faz com que os catadores convivam com o barro em época de chuva e com a poeira quando o tempo está seco. A lama contamina os materiais recicláveis, que perdem seu valor. A falta de cobertura deixa materiais expostos e pode causar acúmulo de água, propício para focos da dengue”, revelou Anderson Viana.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Foto: Diego Cota/Redesol MG

A Unicicla se volta em mais uma empreitada em busca de condições adequadas e dignas para a atividade de catação, essencial para o desenvolvimento sustentável. Em Nova União, ela tem um papel de extrema importância ao desempenhar, em parceria com a prefeitura, o serviço de coleta seletiva, além de dar a destinação correta aos materiais recicláveis, por meio da comercialização, gerando trabalho e renda aos catadores.

Intervenção artística ficou por conta dos jovens do Projeto Sou Capaz, iniciativa do Conselho Municipal da Juventude (Foto: Divulgação/Unicicla)

Eles apresentaram o "Fórum da Música", projeto coordenado pelo CRAS de Nova União (Foto: Divulgação/Unicicla)

A proposta para o próximo ano é transformar o fórum em um espaço cada vez mais participativo e democrático. Ele é realizado pela Unicicla, CRAS e Prefeitura de Nova União. Estiveram presentes, nesta edição, o prefeito Ailton Guimarães, a Agência de Educação Ambiental Mobilizasim, representantes da WIEGO, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Projeto Guaracy, Projeto Lumens (UFMG), Taquaraçu Ecotur, Conselho Municipal da Juventude, Secretaria de Meio Ambiente, vereadores de Nova União, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado Minas Gerais (Emater) e Cachaça Germana.

Foto: Divulgação/Unicicla

11 de dezembro de 2018

Encontros itinerantes proporcionam troca de experiências entre catadores da Redesol MG


O Programa Novo Ciclo, que está em execução na Redesol MG, tem proporcionado um modelo eficaz de troca de experiência entre os empreendimentos filiados. Desde junho, reuniões do Conselho Gestor têm sido realizadas de forma itinerante nas bases da rede. A última percorreu três cidades da Região metropolitana, no dia 29 de outubro. Catadores da Associação Mãos Amigas, de Sabará, Agea, de Caeté, e Unicicla, de Nova União, receberam o conselho para tratar de assuntos pertinentes à rede.

No momento que, além de informativo, é de formação, os catadores revelaram a satisfação com o formato. Para a catadora da Associação dos Recicladores de Belo Horizonte (Associrecicle-BH), Fabiana da Cruz Ovidio, a iniciativa tem proporcionado conhecer o dia a dia dos companheiros de rede. “O Novo Ciclo está sendo maravilhoso pra nós. A parte mais importante ao meu ver é a de conhecer as outras cooperativas. A gente só conhece de verdade na dificuldade de cada um. É bom que todos conheçam a realidade diária”, disse.

Primeira reunião itinerante foi realizada em Pedro Leopoldo (Fotos: Diego Cota)

Na segunda-feira (29/10), a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla) recebeu o grupo da Redesol MG. O diretor do empreendimento, Anderson Viana, destacou os benefícios para sua base. “A troca de saberes e de conhecimento engrandece a cooperativa da gente. Só tenho a agradecer a visita de todos, que pra mim é muito importante. Fortalece a instituição”, revelou.

Segundo a catadora da Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli-Barreiro), Silvana Assis Leal, o caráter solidário dos encontros, assim como o do trabalho das bases, enriquece de experiência quem participa. “Nós trabalhamos no coletivo e cada um de nós tem um saber diferente do outro. Quando a gente encontra e pode compartilhar, é de uma grandeza sem tamanho. A gente só tem a ganhar com isso. Esse momento só foi possível por causa do Novo Ciclo”, afirmou.

Na Coopemar, os catadores se reuniram com a Equipe Aliança do Programa Novo Ciclo

A primeira anfitriã foi a Ascapel, no dia 23 de julho, em Pedro Leopoldo. Em 1º de setembro, os catadores se reuniram na sede da Acamares, em Sarzedo. A Coopemar Oeste, foi o primeiro empreendimento da capital a receber o encontro itinerante, em 15 de outubro. No dia 29 de outubro, três empreendimentos foram visitados. A Associação Mãos Amigas, em Sabará, Agea, de Caeté, e Unicicla, de Nova União.





1 de novembro de 2018

Feiras são fonte de renda e fortalecimento para trabalhadores da economia solidária

Evento contou com exposição dos produtos, oficinas e atividades culturais (Fotos: Diego Cota/Redesol MG)
Alimentação saudável livre de agrotóxicos, produtos feitos a partir do reaproveitamento de materiais e informações úteis para uma vida sustentável. Tudo isso levado ao público por trabalhadores da economia solidária, por meio de feiras. A última delas, nomeada de Festival da Primavera, foi realizada de 3 a 5 de outubro, no Centro de Belo Horizonte, e contou com apoio da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG).

O Espaço do Catador, utilizado pela Redesol MG para conscientizar sobre a necessidade do serviço de coleta seletiva, ocupou uma das tendas do evento. Nele foi explicado sobre a forma correta de separação dos materiais recicláveis. “Estamos falando da importância da coleta seletiva. Quando vamos consumir e comprar os nossos produtos nos mercados, devemos olhar se ele tem a possibilidade de ser reciclado”, revelou a catadora da Coomarp Pampulha, filiada da rede, Cleide Maria Vieira.

Segundo ela, nos três dias de festival, a questão principal foi em como fazer a separação do resíduo em casa. “Muitos tiraram dúvidas, alguns não sabiam se determinado material poderia ser reaproveitado ou como separar. Nosso foco foi explicar os tipos de papeis e plásticos, que são mais comuns. Falamos também sobre sucata e alumínio”, disse.

Espaço do Catador conscientiza sobre a maneira correta de fazer a coleta seletiva

O aprendizado adquirido com as dicas da catadora foi inédito para a prestadora de serviço do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Vanessa Mateus Macedo. “É a primeira vez que estou vendo esse trabalho com recicláveis, o que a gente pode utilizar ou não”, contou. Ela vê a necessidade de separar cada tipo para dar a destinação correta. “Falei com uma amiga do serviço para separarmos para facilitar o trabalho do catador que passa na rua”, completou.

O Festival da Primavera foi realizado pelo Movimento da Economia Solidária e, além da Redesol MG, contou com o apoio do MTE. Chefe da Sessão de Economia Solidária do MTE, Fabiola Barbosa Martins avaliou o evento. “Foi muito produtivo. Contou com exposição dos produtos nas ruas, oficinas sustentáveis, ambientais, da reciclagem e outras, sempre com o olhar na sustentabilidade. A participação da Redesol MG é sempre um presente pra nós”, disse.


A catadora da Coopersoli-Barreiro, filiada à rede, Silvana Assis Leal, acompanha os eventos da economia solidária há vários anos em Belo Horizonte. Para ela, a rede está cada vez mais fortalecida no meio. “Com essa participação, vejo o quanto crescemos. Quando começamos a participar, nos sentimos fortalecidos nesses espaços. É uma parceria que a gente troca. Trazemos nossos conhecimentos e levamos os saberes de todos. Eu acho rico demais para o crescimento da Redesol estarmos juntos”, avaliou.

Fortalecimento da cultura solidária e sustentável


Além de ser espaço para comercialização dos produtos, as feiras são importantes para passar uma mensagem de que uma outra forma de economia, que preza pela sustentabilidade, é possível, como contou a artesã da Coopercon.sol BH, Osvaldina de Souza Silva. “O Festival da Primavera é importantíssimo. É o primeiro passo para nós mudarmos uma cultura”, disse.

Osvaldina trabalha com restos de linhas, lãs e retalhos. Segundo ela, com "tudo que for possível reciclar"

“É uma feira eco ambiental e estamos mostrando a importância de mudar a mentalidade. Além dos nossos produtos que são de reciclagem e reaproveitamento e têm uma importância muito grande para a ecologia, é também uma forma de conscientizar o público quanto ao lixo, por meio de conversas”, completou.

Para a gastronomia, a proposta do festival foi em uma alimentação saudável, vegana e vegetariana

Para a integrante do grupo Olivias Artes, Daniela de Oliveira, o local proporciona contato direto com o consumidor, além de ser o momento mais importante para os produtores. “São fonte de renda, uma forma de divulgar o trabalho e levar o sustento para nossa família. Muitas das vezes, o artesão quer viver da sua arte, mas é difícil. Então, as feiras nos fazem chegar às pessoas. Proporciona esse elo entre nós e os clientes”, revelou.

24 de outubro de 2018

Coopersoli-Barreiro: 15 anos promovendo inclusão social e protagonismo dos catadores

Foto: Diego Cota/Redesol MG

A Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli-Barreiro), empreendimento filiado à Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), completou, em agosto desse ano, 15 anos de existência, promovendo o desenvolvimento social e a inclusão socioprodutiva dos catadores.

A Coopersoli surgiu de um problema comum enfrentado por mães e mulheres moradoras de bairros periféricos da região do Barreiro, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Muitas delas solteiras e com filho para criar, tinham dificuldades de inserção no mercado de trabalho e encontraram no trabalho organizado e solidário uma oportunidade de empoderamento e de se desenvolverem economicamente.

A catadora cooperada Silvana Assis Leal conta que a formação do grupo começou com a organização das famílias em busca de moradia. “A campanha da fraternidade de 1993 tinha o tema ‘Onde moras?’. Então os padres de cada região começaram a mapear as famílias de baixa renda que não tinham moradia e as organizaram. No bairro Santa Cecilia, onde eu morava, comecei a participar das reuniões e ajudar na organização”, disse.

No final de 1999, Silvana conquistou sua moradia própria, em um conjunto habitacional localizado no bairro Itaipu. Segundo ela, assim que as famílias mudaram para o conjunto, elas sentiram a necessidade da geração de renda. “Nossos filhos eram pequenos e nós não tínhamos condições de sair pra trabalhar. A gente queria criar um negócio para ter renda”, afirmou.
Foto: Reprodução/Coopersoli-Barreiro

Antes da formação da Coopersoli, a catadora Elis Regina Martins Silvério conta que as trabalhadoras já realizavam, em conjunto, o trabalho com garrafas pet. Foi o primeiro negócio solidário criado com intuito de gerar renda. “No Itaipu, a gente coletava garrafas pet para fazer moldes para vassouras”, revelou. Na época, o pet representava um problema para Belo Horizonte devido ao descarte indevido do material na cidade.

A primeira experiência não foi rentável, como revelou Silvana, mas foi aí que surgiu a possibilidade de trabalhar com a gestão de resíduos. “A gente fez a primeira venda com muita expectativa, mas deu R$ 5 para cada uma. Foi aí que a gente começou a buscar outros parceiros. Descobrimos que a prefeitura tinha construído um galpão pensando em mexer com reciclagem. A gente achou interessante”, disse.

Para a formação do grupo associado de recicladores, que hoje é a Coopersoli, a Prefeitura de Belo Horizonte abriu um cadastro para os interessados em participar do processo de seleção. Foi dada a preferência para mães de família que moravam nos bairros Itaipu, Columbiara, Independência e Jatobá IV. O grupo inicial que formou a cooperativa era composto por 47 pessoas.
Marli dos Santos Miguel é uma das catadoras fundadoras da Coopersoli (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Na época, cinco catadores passaram por um processo de capacitação. Eles ficaram responsáveis por multiplicar o conhecimento para o restante do grupo. “Quando a gente veio pra cá, não sabíamos nada da separação. Algumas pessoas do galpão foram para a Asmare para aprender o processo de triagem e prensa. Eles nos ensinaram a trabalhar com os materiais recicláveis. No primeiro momento, achamos que era coisa de outro mundo, mas depois vimos que não”, revelou a catadora Marli dos Santos Miguel.

Inclusão social e empoderamento

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Por ser exercido geralmente por pessoas de baixa renda, o trabalho dos catadores é uma importante ferramenta de inclusão social, por meio da atividade laboral. Nos diversos empreendimentos filiados à Redesol MG, a história se repete, com exemplos de superação e empoderamento feminino. A cooperativa, além de ser fonte de renda, proporciona também o desenvolvimento pessoal do catador, como é o caso de Elis Regina.

“Através da Coopersoli eu consegui sustentar meus filhos, comprar presente para eles e leva-los para passear. Passei a ter dinheiro para arrumar as unhas e fazer o cabelo. Aqui dentro, respeitar, acreditar e confiar foram coisas que aprendi. Posso dizer que saí da barriga da minha mãe, mas também saí da barriga da Coopersoli”, revelou a catadora ao falar da transformação que teve, por meio do trabalho.

Fazer parte de um grupo solidário proporcionou às trabalhadoras a possibilidade de conciliar a atividade com a maternidade, devido à flexibilidade de horário, algo que é difícil de ser conseguido no mercado de trabalho convencional. “Aqui na Cooperativa, no início, quem podia trabalhar de manhã, vinha de manhã, e quem podia trabalhar a tarde, vinha a tarde, por conta das crianças. Não é todo lugar que aceitaria nós trabalhando daquele jeito”, disse Elis Regina.

Sustentabilidade


O trabalho do catador também é forte aliado do desenvolvimento sustentável e uma parte essencial da economia circular. Para a catadora Silvana, sua atividade tem potencial de afetar positivamente várias pessoas. “Além de eu estar contribuindo comigo mesmo proporcionando vida digna, estou contribuindo com muitas outras vidas, na questão ambiental. Esse trabalho eu faço com orgulho”, apontou.

Intervenção do Programa Novo Ciclo reorganizou grupo de catadores filiado à Redesol MG

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Quando o Programa Novo Ciclo chegou na Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli-Barreiro), a situação estava delicada quanto à organização do empreendimento. Os catadores, que anteriormente retiravam uma renda segura do trabalho, dessa vez estavam convivendo com uma remuneração baixa, fato que gerou insatisfação de alguns cooperados com a atividade.

A filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) é uma das referências em Belo Horizonte na gestão dos resíduos sólidos, com mais de 15 anos em funcionamento. A intervenção do programa na Coopersoli teve como objetivo reorganizar a unidade do grupo e as etapas de produção. Para isso, foram realizadas oficinas com base na ferramenta de qualidade 5S.

A catadora Elis Regina Martins Silvério, que faz parte da Coopersoli desde sua fundação, contou que, antes da intervenção do Novo Ciclo, a cooperativa funcionava com duas turmas e que os catadores trabalhavam no formato 12h por 36h. “Depois disso, as coisas desandaram. A gente lutou para poder unir de novo. Nosso grande desafio é que todos voltem a trabalhar juntos”, revelou.
Durante o V Encare, as catadoras contaram sobre os avanços da Coopersoli (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Unir os catadores em turno único foi o primeiro caminho para a solução do problema, proposto pela equipe do Novo Ciclo. Com o desenvolver do trabalho, o formato de produção foi sendo alterado e os catadores foram realocados de funções com o intuito de aumentar a produtividade. “Ainda não está 100%, mas melhorou muito desde então. Todo dia tem que adequar até dar certo”, contou a catadora Marli Aparecida dos Santos Miguel.

A maior crise enfrentada pelos trabalhadores da Coopersoli não desanimou Marli, que é uma das fundadoras. Ela contou que sempre acreditou que a situação iria melhorar. “A gente não saiu porque tem esperança de mudar isso, de reverter a história. Já ganhamos bem aqui. Teve uma época que a retirada era de dois salários mínimos”, disse.

Para Elis Regina, esse processo de reorganização da Coopersoli só foi possível devido à atuação em rede, na Redesol MG. “Se não fosse a rede, a gente não teria conseguido o Novo Ciclo fazendo o acompanhamento e as oficinas. Tudo que eles (a equipe do Novo Ciclo) falaram, ensinaram e ajudaram a gente, foi muito bom. Se não fosse o Novo Ciclo, nós não tínhamos conseguido nos juntar direito. Foi o diferencial”, afirmou.

No final de abril, foi realizado um intercâmbio nas cooperativas de Belo Horizonte para troca de experiências. Na foto, os catadores da Coopersoli visitam a Coopemar Oeste (Foto: Divulgação/Redesol MG)

11 de setembro de 2018

Muro Inteligente: conheça o equipamento que tem promovido a coleta seletiva espontânea, em Pedro Leopoldo

Equipamento chama atenção dos morados para o descarte correto dos resíduos (Foto: Divulgação/Recoa PL)
Uma iniciativa inovadora, que tem como finalidade promover o hábito de destinar corretamente os resíduos recicláveis, tomou conta do município de Pedro Leopoldo, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nomeado como Muro Inteligente, o equipamento de entrega voluntária de resíduos foi proposto e difundido pela Rede Comunitária em Ação (Recoa), parceira da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG).

O material depositado nos muros é recolhido pela Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Pedro Leopoldo (Ascapel), filiada à Redesol MG. Segundo a presidente do empreendimento, Luciene Pereira de Almeida, a iniciativa aumentou a quantidade de material trabalhado na associação. “Deu impacto positivo na Ascapel, porque o material que a gente não tinha, hoje nós temos”, disse.

Ela explicou que em Pedro Leopoldo a coleta seletiva porta a porta é realizada uma vez por semana em cada bairro. Com isso, muitos moradores não gostavam de juntar o material durante esse tempo. A presença de muros pela cidade contribuiu para a mudança de hábito. “Com eles melhorou bastante, pois as pessoas que não esperavam pela coleta nas casas, passaram a depositar os recicláveis nos muros”, revelou.

Muro contém informações sobre os materiais (Foto: Divulgação/Recoa PL)

O equipamento está presente em 14 localidades. Estão geralmente em escolas da cidade e sua presença está aliada com ações de educação ambiental com os estudantes. O muro possui orifícios indicando o tipo de material que deve ser depositado em cada um. Atrás deles, existem gaiolas contendo os bags que comportam o material depositado e facilitam o recolhimento pelos catadores da Ascapel.

Segundo a coordenadora da Recoa, Márcia Lopes, o equipamento beneficia toda comunidade. “Os muros inteligentes são uma tecnologia social extremamente importante e de fácil identificação. Ele trás benefícios diretamente para a Ascapel. Para a comunidade trás a sensibilização ambiental. Os resíduos sólidos são responsabilidade de todos nós e temos que participar dessa gestão”, disse.

Iniciativa engloba trabalho artístico desenvolvido por adolescentes

Cada muro é caracterizado por uma arte desenvolvida em equipe por adolescentes da cidade. O grafite é feito para chamar atenção para a presença do equipamento, sempre com uma temática definida, além de levar algumas informações sobre os materiais. “Os grafiteiros são formados pela Recoa. Eles passam por uma capacitação que envolve ensinar o grafite e o respeito ao patrimônio público”, revelou Márcia.

Os jovens artistas contaram que o início do processo se deu com uma seleção realizada nas escolas buscando alunos que tinham habilidade em desenhar. Logo após, foram iniciadas as oficinas. “Nos apresentaram o projeto e qual a proposta da iniciativa”, contou Mateus Dias, de 18 anos, que ficou satisfeito com o resultado. “Fiquei muito feliz, porque sempre quis mostrar minha arte para um número maior de pessoas. Fiz e deu certo”, disse.

Projeto abre espaço para trabalho com jovens da cidade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)


Mudança de hábito da população é realidade na cidade

Mateus contou que após a instalação de um muro inteligente no bairro onde mora, mais pessoas têm separado os recicláveis e isso reflete no aspecto do bairro. “O pessoal do meu bairro sempre coloca o reciclável nos muros. Já reduziu bastante a quantidade do que era descartado nas ruas”, revelou. Poliana Ribeiro, de 18 anos, que também faz parte do projeto como grafiteira, aponta a mudança de comportamento. “As pessoas estão aprendendo a separar o lixo que dá pra reutilizar”, disse.

Teodora Dureva, de 33 anos, ficou surpreendida ao saber que uma iniciativa como a dos muros inteligentes é algo raro na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A búlgara mora em Pedro Leopoldo há cerca de dois meses e usa os muros desde então. Durante os dois anos que reside no Brasil, ela não se recorda de uma iniciativa similar nas cidades onde morou. “Belo Horizonte é a terceira maior cidade do país e quase não tem esse tipo de equipamento. Morei em São Paulo e também não tinha nada disso. É uma vergonha”, revelou.

Diante da situação, ela aprovou a presença dos equipamentos na cidade, mas opinou que é preciso conscientizar mais as pessoas quanto a destinação correta. “Os muros inteligentes são muito bons, mas acho que é preciso mais. Também o povo tem que ser educado, tem que haver propaganda, pois vejo muito lixo nas ruas e nos quintais. Nas escolas é muito importante discutir o tema”, disse.

De onde veio?

O projeto dos muros inteligentes surgiu de um problema comum enfrentado por Pedro Leopoldo: a gestão de resíduos sólidos. Ele foi iniciado em 2013, quando o Instituto Holcim, integrado com a Rede América, capacitou associações para desenvolverem um projeto que tinha como finalidade resolver um problema comum a todos. O fato de a Ascapel participar do grupo levantou a necessidade de contribuir com a destinação dos resíduos, tópico que beneficia diretamente todos da cidade.
Muro Inteligente situado na Apae da cidade (Foto: Divulgação/Recoa PL)

1 de setembro de 2018

V Encare abordou atenção à saúde do catador e avanços da Redesol MG

Encare é realizado anualmente pela Redesol MG (Fotos: Diego Cota)

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) realizou o V Encontro de Catadores da Redesol MG (Encare), no sábado (25/08), na sede do Sindieletro-MG, em Belo Horizonte/MG. Ao longo do dia, os catadores dos empreendimentos filiados discutiram temas como saúde ocupacional e avanços alcançados na economia circular.

A presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, contou sobre a importância da realização do Encare. “Representa um momento para reflexão, planejamentos, debates e apresentações dos resultados das ações. É um espaço de troca de experiências, de conhecer e reconhecer os avanços, de comemorar e confraternizar com todos os catadores filiados e seus parceiros”, disse.


Saúde do catador da rede em destaque com o Projeto Cuidar


As atividades do dia começaram com a devolutiva dos resultados do Projeto Cuidar, iniciativa desenvolvida pela rede global WIEGO (Mulheres no Emprego Informal: Globalizando e Organizando). Por meio dele, foi realizado um mapeamento sobre a saúde do catador e a relação com as condições de trabalho em cinco empreendimentos filiados à rede: Associrecicle BH, Coomarp Pampulha, Coopersoli Barreiro, Ascar e Unicicla.

Pesquisa mapeou as condições de saúde dos catadores

Coordenadora do projeto, Sonia Dias relembrou que o Cuidar surgiu depois de um grupo temático sobre a saúde nos galpões realizado no III Encare, em 2016. “O encontro é um momento decisivo da história de vocês”, disse. Ela aprovou a forma como o público interagiu durante as apresentações. “Foi muito bonito ver os sorrisos e olhos brilhantes dos catadores e a participação ativa deles”, disse.

Grupo Parangolé foi responsável pela facilitação das temáticas. “A arte-mobilização tem sido uma poderosa ferramenta nos projetos da WIEGO para provocar reflexão e envolvimento", disse Sonia Dias
A vice-presidente da Redesol MG e presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares), Marli Beraldo, destacou a construção coletiva da pesquisa. “Ficamos felizes ao voltar em um encontro com o resultado concreto de um estudo que fizemos juntos. O Projeto Cuidar é uma ferramenta para entendermos nossa saúde, a gente se enxerga nele”, afirmou.

Em Nova União, o levantamento feito pelo Cuidar foi fundamental para sensibilizar os gestores públicos durante o processo de contratação da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), como contou o diretor Anderson Viana. “Foi importante. Prefeitura e Ministério Público elogiaram o assessoramento da WIEGO sobre a saúde dos catadores. Nós temos que valorizar essa importante ferramenta”, disse.

O Projeto Cuidar tem a capacidade de empoderar o catador para a construção de políticas públicas, tendo em vista a saúde ocupacional, como apontou a pesquisadora da iniciativa, Fabiana Goulart. “É importante que os catadores se apropriem dos dados levantados e comecem a pensar no cotidiano da atividade para poder discutir nos municípios e nos estados uma política pública com qualidade”, sugeriu.

Resultados do Programa Novo Ciclo destacam sucesso da intervenção na Redesol MG


Entre os temas discutidos, os catadores tiveram a oportunidade de se informarem sobre os resultados da intervenção do Programa Novo Ciclo, na Redesol MG, que tem como objetivo principal proporcionar a comercialização direta dos empreendimentos de catadores de materiais recicláveis com a indústria recicladora. Foi feito um balanço das atividades do primeiro semestre de 2018.

Além dos resultados práticos já alcançados, como a venda de cargas conjuntas para a indústria, uma das ações do programa é preparar as cooperativas e associações para um melhor processo produtivo, por meio de oficinas. Um dos empreendimentos que receberam a atividade foi a Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli Barreiro).

Catadoras da Coopersoli Barreiro contaram os avanços com a intervenção do Novo Ciclo

Segundo o técnico da Redesol MG no Programa Novo Ciclo, Lelis Fonseca, a ação foi o primeiro desafio, a pedido da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). “Foram feitas oficinas e a primeira foi uma de 5S de organização da produção. Conseguimos reorganizar o grupo. A Coopersoli funcionava em dois turnos, com duas turmas. Agora ela trabalha em turno único. É uma cooperativa só”, contou.

Outro avanço da Redesol MG é a articulação realizada nos municípios de Sabará, Caeté, Nova União, Taquaraçu de Minas e Bom Jesus do Amparo. Eles integram a Rota 381, uma iniciativa planejada pela rede para providenciar a comercialização conjunta dos empreendimentos, além do desenvolvimento de programas de coleta seletiva nas cidades.

A integrante da equipe de inovação do Programa Novo Ciclo, Maiza Lacerda, destacou o papel do catador e o potencial da rede. “O catador, dentro de todo esse processo, é peça fundamental. É o ator principal de tudo que é feito. Na Redesol MG, há uma boa qualidade de material e um volume interessante para o mercado. Há também um impacto ambiental positivo devido a isso”, apontou.

Advogados da Conafe Contabilidade esclareceram aos catadores quanto ao Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC)

Leonardo Costa, da Coomarp Pampulha, explicou aos presentes o passo a passo para emitir nota fiscal de acordo com o manual elaborado pela Redesol MG sobre suspensão de PIS/Pasep e Cofins

Na ocasião, a Redesol MG promoveu a campanha "Avançando para um Novo Ciclo", que contou com a apresentação de um vídeo com os avanços da rede dentro da iniciativa. Veja aqui