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Transformando lixo em cidadania.

3 de julho de 2018

Redesol MG é parceira no processo de implantação da coleta seletiva, em Jequitibá

Comarb, empreendimento filiado à Redesol MG, vai realizar o serviço (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Jequitibá, cidade distante 112 km de Belo Horizonte, está próxima de entrar na lista dos municípios que executam a coleta seletiva. A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), por meio da Associação dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Baldim (Comarb), e o Programa Novo Ciclo são parceiros da prefeitura no processo de implantação.

Em reunião realizada na quarta-feira (13/06), que contou com a presença do prefeito da cidade e dos secretários que compõem a administração, começou a ser elaborado o Plano de Mobilização para a Coleta Seletiva, criado pela Redesol MG. Na ocasião, foram elencadas as potencialidades de Jequitibá e também os parceiros para a sensibilização junto aos moradores. A proposta da cidade é que o serviço esteja disponível a partir do mês de agosto.

A Comarb, empreendimento filiado à Redesol MG, tem sede na cidade e a coleta será realizada pelos catadores associados. De acordo com a presidente da associação, Elena Gomes Candeia, a iniciativa vai melhorar as condições de trabalho. “Atualmente, os catadores têm que abrir os sacos de lixo domiciliar para tirar os recicláveis. Com a coleta seletiva, o material vai vir limpo, preservando a saúde dos catadores e desenvolvendo sua renda”, disse.

A presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, explica que a implantação e revitalização do serviço é uma forma segura de aumentar o ganho dos catadores e a qualidade de vida na cidade. “Se não tiver a implantação da coleta seletiva no município, e isso só pode ser feito pelos gestores públicos, não é possível aumentar a renda do catador e os postos de trabalho”, revelou.

Com o serviço em parceria com os catadores, Jequitibá passa a cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010. “Além de atender a legislação, temos como norte a sustentabilidade. A partir do momento que trabalhamos dentro da lei e em prol de uma qualidade ambiental, temos essa sustentabilidade das ações de médio e longo prazo”, explicou a secretária de meio ambiente, Poliana Aparecida Valgas de Carvalho.

A partir do plano da rede, Jequitibá destinará o reciclável de forma sustentável (Foto: Diego Cota/Redesol MG)


Para que a coleta seletiva se mantenha como uma prática constante na cidade, é necessário o envolvimento de vários atores locais, como aponta o técnico da Redesol MG no Programa Novo Ciclo, Lelis Fonseca. “Além do poder público com suas secretarias, tem as associações comunitárias e outras. Cada ator tem sua importância. É um catalizador para que ninguém fique de fora do processo. Todos devem ter sua obrigação com o meio ambiente e com a implantação da coleta”, disse.

19 de junho de 2018

Catadores da Ascapel buscam se reerguer após incêndio no galpão da associação

Antes e depois do galpão da Ascapel (Imagem: Diego Cota/Redesol MG)

A Associação de Catadores de Pedro Leopoldo (Ascapel), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), sofreu o pior incêndio de sua história, na quinta-feira (31/05). O fogo, de origem criminosa, destruiu o galpão de triagem e consumiu várias toneladas de materiais preparados para a comercialização.

A renda dos catadores e os maquinários do empreendimento foram comprometidos. Segundo a presidente da Ascapel, Luciene Pereira de Almeida, a carga de recicláveis estava avaliada em cerca de R$ 10 mil e esse valor seria destinado à remuneração mensal dos catadores. “O que mais pesou, a princípio foi o fato de ter perdido o dinheiro do pagamento dos associados. Ele foi todo queimado nesse incêndio”, disse.

Para contribuir com a reestruturação da associação, o interessado pode doar qualquer valor por meio da conta na Caixa Econômica Federal: Agência 0144, Operação 013, Conta 37431-3.



Momento difícil encontra conforto na solidariedade


O galpão da Ascapel fica localizado atrás da empresa Citygusa, próximo à Comunidade Monte Tabor, em uma região isolada na cidade de Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Era tarde no dia do fatídico incêndio quando Luciene chegou ao local e encontrou a estrutura em chamas. “Fui a primeira a chegar. Fiquei apavorada no momento. Vi o pagamento de treze pessoas indo embora e não podia fazer nada”, contou.

O estoque da associação estava cheio de fardos dos mais variados tipos de materiais recicláveis triados pelos catadores. Devido a greve dos caminhoneiros, que parou o Brasil naquela semana, não foi possível realizar a venda antes do feriado de Corpus Christi. “Como teve a greve, juntamos os fardos. A ideia era enviar todas as duas cargas de uma vez assim que a greve terminasse”, revelou.

A maior parte do galpão foi destruída pelo incêndio. Além das chamas, a tubulação de água foi quebrada, esvaziando a caixa. Com isso, não foi possível executar uma primeira ação antes da chegada de equipes para controlar o incêndio. “A nossa área acabou. Tem que fazer tudo novamente, porque não tem como trabalhar aqui da forma que está”, disse Luciene.

Para continuar o trabalho, a Ascapel está em funcionamento em outro galpão nas proximidades do que sofreu o dano. A mudança alterou a forma dos catadores trabalharem. Segundo Luciene, eles estão acostumados com o processo de triagem em mesa. Agora estão tendo que triar diretamente no chão. “A gente vai começar o processo todo de novo, da forma como tudo começou, separando no chão. Temos que pegar o costume até nos levantar. Isso gasta tempo”, contou.

Luciene ainda conta que mesmo depois desse momento tenso, todos os catadores associados se uniram no intuito de reerguer a Ascapel. Além disso, todos estão contentes com a solidariedade que a associação tem recebido. “Ficamos surpreendidos pelo apoio. A população inteira está com nós. Não tem como desistir se tem muita gente torcendo pra gente levantar. Nós vamos renascer da cinza”, afirmou.

Galpão da Ascapel antes do incêndio (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

As chamas destruíram grande parte do galpão (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

12 de junho de 2018

Manual Redesol MG: suspensão de PIS/Pasep e Confins, com base na lei fiscal Nº 11.196/05


Este manual, produzido pelo corpo técnico da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), visa orientar ao administrador de empreendimento de catadores o passo a passo para alterar o cadastro de materiais para, posteriormente, gerar nota fiscal de venda para empresas que optam pelo regime tributário Lucro Real.

De acordo com o artigo 48 da Lei Fiscal Nº 11.196/05, ao comercializar os materiais listados pela redação oficial, a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins fica suspensa quando for realizada para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. As cooperativas de catadores, que vendem boa parte desses materiais recicláveis, podem utilizar desse recurso fiscal para melhorar a renda do catador.

Os materiais citados pela lei são: desperdícios, resíduos e aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho.

Clique aqui para baixar.

22 de maio de 2018

Fórum Lixo e Cidadania: catadores da Acamares expõem insatisfação com prefeitura de Sarzedo

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Construir um espaço democrático para discutir a situação da gestão dos resíduos sólidos e buscar soluções conjuntas para enfrentar os problemas. Com esse objetivo, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), promoveu o Fórum Regional Lixo e Cidadania de Sarzedo e Mário Campos, na sexta-feira (18/05), no Centro de Referência da Pessoa Idosa de Sarzedo.

Em sua segunda edição, foi colocado aos participantes o descontentamento dos trabalhadores da associação com a falta de compromisso do executivo sarzedense em atender demandas básicas para realização do serviço. “Somos uma das melhores cidades da região metropolitana, mas isso não reflete no trabalho dos catadores. É uma vergonha para o município de Sarzedo”, disse a presidente da Acamares, Marli Beraldo.

“A gente espera uma efetivação da política pública, a gestão dos resíduos sólidos, que hoje não é consolidada no município”, apontou. No início do ano, foi implantada a coleta seletiva municipal, que, a princípio, disponibiliza o serviço nos prédios públicos e para o comércio. Segundo a catadora da Acamares, Ludmila Rodrigues da Silva, esse fato não trouxe mudança para o empreendimento.

Ela revela que, desde então, o material no galpão está pouco. Além disso, parte do que recebem junto com o reciclável são inapropriados para comercialização. “A expectativa era que melhorasse a quantidade de material depois da implantação da coleta, mas não foi isso que aconteceu. Tem muitos que já desanimaram, porque a renda que tiramos lá não dá para manter uma família”, explicou Ludmila.

Além de a situação ser negativa para a geração de renda, Marli releva que o fato influencia no trabalho como um todo. Nesse momento, a associação aguarda o cumprimento, por parte da prefeitura, de um convênio. “A coleta ainda não impactou na renda. A gente está esperando uma resolução da parceria de fomento entre prefeitura e Acamares, que visa a mudança para um galpão que dê estrutura de trabalho com dignidade”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

A presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, cobrou do município, representado pelo secretário de meio ambiente, a garantia de uma remuneração digna ao grupo, já que o volume recebido por meio da coleta seletiva municipal não é suficiente para alcançar uma renda justa. “Vemos muitas pessoas boas na associação que acreditam nesse negócio, mas que infelizmente, por questão de sobrevivência, são obrigadas a sair”, lamentou.

“A gente vem buscando a contratação dos catadores. É uma pauta que tem avançado nos municípios da região metropolitana. É importante porque temos dificuldades de garantir uma renda mínima, de cerca de um salário mínimo, com o volume de material nos galpões. Nosso objetivo é encontrar caminhos para melhorar a qualidade de vida dos catadores”, completou Ivaneide.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

O fórum contou com a presença dos catadores da Acamares, comunidade local, Redesol MG, Programa Novo Ciclo, ONG Natureza Viva, vereadores locais, representantes das prefeituras de Sarzedo, Mário Campos e Ibirité. Houve apresentação do grupo da terceira idade do Centro de Referência da Pessoa Idosa, que descontraiu o público.

Investir na coleta seletiva beneficia o município


A coleta seletiva, aliado ao trabalho dos catadores, se torna cada vez mais um serviço essencial. O bom diálogo entre as partes, prefeitura e trabalhador, tem a capacidade de proporcionar avanços necessários na busca pelo desenvolvimento sustentável. Entretanto, antes de pensar no fim positivo proporcionado pela atividade, é preciso valorizar os catadores, por meio da inclusão produtiva.

Durante o fórum, o diretor do Departamento de Projetos Ambientais da Prefeitura de Ibirité, Gilvando Elen de Oliveira, contou um pouco da experiência positiva da cidade vizinha, aliado ao tratamento digno. “Com o apoio financeiro da gestão municipal, o catador tem o suporte que vai animar ele a executar o trabalho. Tendo as despesas garantidas pelo município, sobra só o papel de fazer a triagem para retirar sua renda”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Além do cuidado ambiental com os resíduos sólidos, que é de responsabilidade do município garantir à população, investir em práticas sustentáveis trazem benefícios para as contas públicas, como destacou Gilvando. “Esse trabalho evita que muitas toneladas de materiais sejam enterradas nos aterros. O executivo acaba economizando ao fazer o serviço de coleta seletiva”, revelou.

Para o integrante da ONG Natureza Viva, Washington Alves dos Santos, o caso de Sarzedo é problemático, porque a cidade tem uma das maiores rendas per capita da região, mas não investe no serviço. Com essa situação, ele aponta a necessidade de exigir constantemente uma atuação favorável da prefeitura. “Não faz sentido não investir na coleta seletiva. Acredito que o desafio seja enorme, pois é preciso pressionar o poder público por meio de redes de entidades articuladas”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Foto: Diego Cota/Redesol MG

11 de maio de 2018

Redesol MG é exemplo para formalização de grupo de catadores em Bom Jesus do Amparo

Destinação correta dos resíduos é interesse unânime na cidade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

O trabalho desempenhado pelos catadores filiados à Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) é a referência do setor na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diante disso, a rede desenvolve o papel de mediadora no diálogo dos catadores de Bom Jesus do Amparo com o executivo municipal, no objetivo de formalizar um empreendimento solidário na cidade e contribuir na implantação da coleta seletiva.

Em reunião realizada na quinta-feira (26/04), na Câmara Municipal da cidade, que contou com a presença da Redesol MG, Programa Novo Ciclo, catadores do município, representantes do executivo e legislativo, foram discutidos os anseios dos trabalhadores com relação à formalização do grupo, bem como o apoio da prefeitura nesse processo. A proposta do executivo visa se adequar à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305/10.

O grupo de Bom Jesus do Amparo é formado por quatro catadores que trabalham informalmente no lixão da cidade, separando o material reciclável em meio ao lixo produzido. Segundo o catador e presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), Anderson Viana, o associativismo pode contribuir na melhoria das condições de trabalho. “Formalizar o grupo vai ajudá-los a avançarem”, disse.

Para a presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, a formalização deve vir acompanhada da definição de um local de trabalho para que a cidade possa evoluir. “É necessário um local certo para os catadores. Para fazer a mobilização, deve ter a perspectiva de um galpão, seja próprio ou alugado. O diálogo entre executivo e legislativo deve ser logo para definir a questão desses trabalhadores”, sugeriu.

O prefeito Dário Ferreira Motta revelou que existe um planejamento para construção de um galpão para o serviço de triagem de materiais recicláveis, que serão recolhidos principalmente pela coleta seletiva que o município quer instituir. “Pretendemos construí-lo no mesmo espaço que os catadores estão, que é em uma área que possui cerca de três hectares. Com relação a isso, não vejo dificuldade nenhuma”, pontuou.

De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, Adílson José Eduardo, um passo já foi dado ao descarte legal dos resíduos e que há interesse da prefeitura em investir nos catadores. “Para a destinação, o contrato já está assinado com o Aterro Sanitário de Macaúbas, em Sabará. Quanto a reciclagem, a prefeitura tem vontade de fazer acontecer. Todo apoio que precisar, a gente vai ter”, explicou.

Redesol MG é parceira na formalização do grupo de catadores (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Cidade busca se adequar à lei nacional


Bom Jesus do Amparo, distante 67 quilômetros de Belo Horizonte, encontra-se atrasada em sua gestão dos resíduos produzidos pela população. Ela faz parte do grupo das que ainda possuem lixão, situação irregular de acordo com a PNRS. O objetivo é erradicar com a prática de descarte ilegal e recuperar a área, que também é utilizada pelos catadores.

Assessor técnico da Redesol MG no Programa Novo Ciclo, Lélis Fonseca destacou o empenho das pessoas envolvidas na causa. “Esse anseio está alinhado, porque grande parte dos vereadores está interessada em um problema que é social e econômico, então essa proposta é uma solução. A coleta seletiva proporciona um ganho social e ambiental para as cidades com a separação dos resíduos sólidos e com a inclusão dos catadores”, afirmou.

7 de maio de 2018

Ação em Taquaraçu de Minas chama atenção para necessidade da coleta seletiva

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Iniciativa teve Unicicla como parceira e contou com apoio da Redesol MG e Programa Novo Ciclo

Taquaraçu de Minas, cidade pacata distante cerca de 60 quilômetros da capital Belo Horizonte. Mesmo com a proximidade, a tranquilidade remete ao interior distante do grande centro. A margem do rio que dá nome ao município, está uma população que no sábado (28/04) resolveu fazer diferente em prol de uma causa essencial para o desenvolvimento sustentável.

Mobilizados pela iniciativa Jogue Limpo com Taquaraçu, os moradores separaram os resíduos recicláveis para a coleta seletiva porta a porta, realizada pela ONG Taquaraçu Ecotur. A ação contou com parceria da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG).

Segundo o idealizador e diretor da ONG, Jânio de Lima Marques, o objetivo é chamar a atenção para a gestão dos resíduos da cidade. “A nossa intenção é provocar os órgãos públicos para implantação da coleta seletiva no município e também fazer uma parceria para a Unicicla receber o material recolhido. Para aquele que não for reciclável, que a prefeitura faça um contrato para enviar a um aterro e por fim no lixão da cidade”, explicou.

Os catadores, juntamente com o caminhão da coleta promovida pela ONG, percorreram as ruas do município recolhendo o material separado. Um carro de som que seguia logo na frente chamava a atenção da população alertando que “reciclar, é preciso reciclar”. Segundo o diretor da Unicicla, Anderson Viana, foi coletada por volta de uma tonelada e meia de recicláveis como papelão, plástico, papel, vidro, pneus etc.

Material recolhido foi levado para o galpão da Unicicla, em Nova União (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Além de promover um ganho para Taquaraçu de Minas, a atividade gerou impacto positivo para a Unicicla. “Aumentou a quantidade de reciclável no galpão e agregou para antecipar o fechamento de uma carga. Foi muito bom para os catadores. O material foi todo triado e prensado logo na segunda-feira”, contou Anderson.

“A comunidade abraçou a causa e está pedindo uma nova ação. Tanto que já tem moradores separando para um próximo mutirão. Outra coleta está sendo programada pela ONG. A Unicicla se propõe a dialogar com o poder público do município, juntamente com as entidades locais, empresas e sociedade, com o objetivo de implantar a coleta seletiva de fato na cidade”, revelou.

Segundo o idealizador Jânio de Lima Marques, uma das atividades realizadas pela ONG mostrou a necessidade da coleta seletiva. “A gente já vem fazendo um trabalho de limpeza da margem do rio, retirando o lixo, só que vimos que precisamos ampliar para a cidade, porque ela está muito suja e é importante, pois visamos a implantação da coleta seletiva no município, porque gera renda e ajuda a preservar o meio ambiente”, contou.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

O trabalho de mobilização envolveu as redes sociais e também a conversa direta com a população. Foram distribuídos panfletos de porta em porta e na rua, onde foi explicada a importância do projeto. Segundo a integrante da Taquaraçu Ecotur, Jéssica dos Santos, “o pessoal sente falta do serviço. A receptividade foi boa, muita gente quer ajudar e está sendo conscientizado”, avaliou.

A ação Jogue Limpo com Taquaraçu contou com apoio da Redesol MG e do Programa Novo Ciclo.

Situação da cidade


Além da inexistência do serviço de coleta seletiva, a destinação dos resíduos é irregular, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/10. O caminhão que faz a coleta rotineiramente despeja ao lixo em um lixão irregular, onde é incinerado. A área fica a poucos quilômetros do perímetro urbano. De qualquer ponto da cidade é possível ver a fumaça que sobe entre a mata que circunda o município.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que contém uma série de medidas que devem ser seguidas com o objetivo de atender o artigo 15º da PNRS, determinou um prazo de quatro anos, de 2010 a 2014, para que as prefeituras regularizassem a destinação dos resíduos produzidos. Essa regulação se daria principalmente por meio do fechamento dos lixões. Desde 2014, a existência desses locais, no Brasil, é um crime ambiental passível de pena.

8 de abril de 2018

Conheça o Projeto Cuidar: iniciativa fomentou atenção à saúde dos catadores da Redesol MG

Diálogo com catadoras e catadores foi base do diagnóstico realizado (Foto: Divulgação/Unicicla)

Estabelecer o cuidado prévio com a saúde é fundamental para uma vida saudável, mas, em alguns casos, a falta de acesso e de informação é um empecilho para mantê-lo em dia. Em 7 de abril é comemorado o Dia Mundial da Saúde e neste ano a temática é “Saúde universal: para todos, em todos os lugares”, direito do cidadão reconhecido na Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1946.

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) conta ao leitor sobre a iniciativa Projeto Cuidar, desenvolvida pela rede global WIEGO (Mulheres no Emprego Informal: Globalizando e Organizando) em alguns dos empreendimentos filiados, em 2017, com o objetivo de diagnosticar a saúde ocupacional dos catadores.

O projeto teve como objetivo analisar a saúde, os riscos e problemas enfrentados no local de trabalho e como os trabalhadores lidam com eles. Serviu como um processo de levantamento de informações e um momento de reflexão coletiva, por meio da troca de informações entre os cooperados e equipe.

De acordo com a presidente da Redesol MG e da Comunidade Associada para Reciclagem de Materiais da Região da Pampulha (Comarp), Ivaneide da Silva Souza, a iniciativa conseguiu cativar os participantes. “Eu percebi o envolvimento deles, participando e gostando. Inicialmente achei que o projeto teria muitas dificuldades com a contribuição dos cooperados, mas percebemos que eles estão preocupados com a saúde e em melhorar a forma de trabalho”, revelou.

A atividade desenvolvida pelos trabalhadores com materiais recicláveis, seja catador de rua ou de empreendimentos de triagem, requer esforço constante. Se realizado de forma que não contempla a ergonomia, de médio a longo prazo o corpo vai sofrer consequências, como dores e desconfortos. Esse foi um dos pontos abordados pela equipe do projeto no diagnóstico.

A participação na iniciativa proporcionou algo inédito para a catadora da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), Alaíde Soares. “Achei legal, porque foi a primeira vez que alguém nos deu esse tipo de atenção. Eu não tinha conhecimentos dos riscos que eu poderia correr no local de trabalho”, contou.

Equipe do projeto com as catadoras da Ascar, de Raposos (Foto: Reprodução)

Para a catadora da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Raposos (Ascar), Maria de Fátima Silva, a participação fomentou o desejo de se dedicar mais às questões envolvendo a saúde. “Essa iniciativa muda nosso senso de segurança no dia a dia. Dá mais tranquilidade, porque a atenção com a saúde passa a ser algo contínuo”, disse.

Segundo o Diretor Geral da Unicicla, Anderson Viana, os associados aprovaram o projeto. “Para nós é importante porque fez um diagnóstico de toda a situação e condições de saúde da associação. Eles se sentiram acolhidos. Foi um avanço para o empreendimento”, disse.

O Projeto Cuidar

Resultados foram apresentados durante realização do IV Encare, em 2017 (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A iniciativa foi desenvolvida pelas coordenadoras Sonia Dias e Ana Carolina Ogando, e pelas pesquisadoras Fabiana Goulart e Juliana Gonçalves. Ela surgiu em 2012 do grupo de discussão das mulheres que participavam do Projeto Gênero e Lixo, parceria entre a WIEGO, Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM), da UFMG, com o intuito de abordar a saúde da mulher.

Segundo as coordenadoras, a demanda pela atenção à saúde dos catadores surgiu durante a participação em encontros da Redesol MG. Interesse esse que é comum com os objetivos dos programas de Proteção Social e Políticas Urbanas da WIEGO, que visa diagnosticar os desafios e riscos de saúde que catadoras e outras trabalhadoras informais enfrentam no mundo.

25 de março de 2018

Mês das mulheres: a catadora faz toda a diferença na Redesol MG

Mulheres catadoras são maioria nos empreendimentos filiados (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) é uma entidade consolidada na cadeia produtiva da reciclagem. Constituída e liderada majoritariamente pela força feminina, a história da rede é cheia de exemplos de mulheres catadoras fortes, que se empoderam e garantem autonomia, por meio do trabalho realizado.

Em 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. A data foi instituída em referência à luta por melhores condições de vida e trabalho. Luta que é constante para as catadoras, como relata a Presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza. “Ter um dia da mulher é especial para refletirmos sobre nós, mas o desafio é diário. Ficamos felizes por ter conseguido avançar ao longo dos anos”, disse.

Para Ivaneide, entre as questões cotidianas está a de passar a ideia de igualdade de gênero no ambiente profissional. “Tem o entendimento de muitos homens machistas de que são eles que têm mais conhecimento e que apenas eles dão conta de liderar. Trabalhar esse assunto para que a gente tenha um grupo homogêneo, independente de lidar com mulheres ou homens, é um grande desafio nesse universo da catação”, revelou.

A Presidente e catadora da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares), Marli Beraldo, usa a palavra resiliência para definir o trabalho da mulher catadora. Neste contexto, significa que é a capacidade de lidar com os problemas que surgem, sem ceder às pressões. “Nós tiramos da rua o sustento e somos a cara do povo brasileiro. Dentro da realidade de ser mulher na catação, eu acho que a atividade exige essa resiliência”, afirmou.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Outro aspecto importante é a habilidade de lidar com situações distintas em um mesmo intervalo de tempo, que, segundo Marli, é marcante da mulher, pois por vezes concilia rotina profissional, maternidade, entre outras atividades. “O olhar difuso é uma característica muito feminina, só a mulher dá conta de fazer três coisas ao mesmo tempo”, disse.

Intervenção nas ruas de Sarzedo marcou o Dia da Mulher da Acamares

Foto: Divulgação/Acamares

Na quinta-feira (8/03), as catadoras da Acamares foram às ruas da cidade, localizada na Grande BH, para conscientizar a população sobre a desigualdade de gênero existente.

Rosas foram distribuídas em meio às conversas sobre os desafios enfrentados pela mulher catadora. O momento contou com apoiadores da associação e foi propício para divulgar a coleta seletiva e explicar como esse serviço reflete na inclusão dos catadores.

“Nós entregamos rosas, mas não foi para comemorar, foi de lamento pela violência contra a mulher, pela falta de oportunidade no mercado de trabalho, principalmente para as mulheres negras e pobres. Dialogamos sobre esses problemas para as mulheres catadoras”, contou Marli Beraldo.

23 de março de 2018

Cooperativas da Redesol MG realizam mutirão solidário, em Sabará

Ação reforçou a solidariedade entre as filiadas (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
Cooperação e união estiveram presentes nos sábados (17/02, 24/02 e 17/03), que foram de muito trabalho para os cooperados da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG). Catadores de quatro empreendimentos concentraram os esforços em um mutirão na Associação Mãos Amigas dos Trabalhadores com Material Reciclável da Comunidade de Maquiné, de Sabará.

Nos últimos meses, a quantidade de material reciclável, proveniente da coleta seletiva municipal, acumulou no galpão, tornando necessário o auxílio da força de trabalho em rede. Contribuíram os catadores da Comarp, Coopemar e Coopersoli, de Belo Horizonte, e da Acamares, de Sarzedo.

A catadora da Associação Mãos Amigas, Genessi Ferreira, relembrou a luta histórica da entidade e aprovou a ação em rede. “O espaço foi conseguido com muito esforço. Desde que entramos na Redesol, em 2013, que corremos atrás. Esse trabalho de mobilização começou na rede e vai ser o primeiro de muitos que estão por vir”, disse.
Antes do trabalho, o grupo planejava os objetivos da atividade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A atividade integra as ações do Programa Novo Ciclo, que está em execução na rede. A iniciativa visa auxiliar os empreendimentos na logística de produção e na negociação direta com a indústria.

Importância do empreendimento para avanço da Redesol


Localizado no Aterro Sanitário de Macaúbas, a Associação Mãos Amigas está a poucos minutos de um dos principais corredores de escoamento de cargas do estado, a BR-381. Esse fato torna a localização estratégica para futuras comercializações.

Para a rede, a região é importante, porque o “Corredor 381” engloba também a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla) e a Associação dos Gestores/Catadores Ambientais de Caeté (Agea). 

De acordo com assessor técnico da Redesol, pelo Programa Novo Ciclo, Lélis Fonseca, a dimensão do galpão de Sabará é um fator relevante para os objetivos traçados. “O espaço disponível tem potencial para estocar grande quantidade de material, facilitando assim a venda direta”, apontou.

Galpão da associação após segundo dia de mutirão (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

18 de março de 2018

Fórum Lixo e Cidadania de Nova União discute contratação dos catadores da Unicicla

Fórum, iniciado em setembro de 2016, pauta o diálogo sobre os resíduos sólidos (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), que integra a Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), promoveu o Fórum Municipal Lixo e Cidadania de Nova União, na quinta-feira (15/03), na Câmara Municipal da cidade, localizada na Grande BH. O encontro foi realizado em parceria com o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e debateu sobre a garantia dos direitos dos catadores e as formas legais para contratação pelo serviço prestado ao município.

A ocasião contou com a presença do promotor de justiça da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Social do Ministério Público de Minas Gerais (Cimos/MPMG), André Sperling. Durante sua fala, ele esclareceu sobre os meios legais para promover a inclusão dos catadores, como garante a Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Segundo o promotor, a contratação dos catadores pode acontecer de forma imediata, a partir do momento em que o município dispor de recursos. Para realizar esse processo, o artigo 36 da PNRS dispensa a necessidade de licitação e designa que o gestor público deve priorizar cooperativas e associações de trabalhadores da reciclagem.

“Dentro da lei federal, o caminho que Nova União está seguindo é correto, pois a Unicicla tem o direito de receber pelo serviço público que ela presta. De acordo com a política, as associações e cooperativas, formadas por catadores de baixa renda, devem ser priorizadas no recebimento dos resíduos sólidos recicláveis e também devem ser contratados para prestação do serviço”, disse.

Presença da Cimos/MPMG esclareceu dúvidas sobre a contratação dos catadores (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Na última semana, a associação entregou ao município o plano de trabalho junto com os documentos necessários para fortalecer a parceria visando garantir direitos aos catadores. De acordo com prefeito de Nova União, Ailton Guimarães Rosa, há uma necessidade de desenvolver a coleta seletiva municipal para aumentar a capacidade produtiva do empreendimento.

“Vamos aprimorar o programa de coleta seletiva e implantar ecopontos em comunidades distantes. As ações visam elevar o volume de material reciclável na associação e diminuir no montante que é destinado ao aterro sanitário de Sabará. O fórum une todos os elementos da sociedade em busca de um objetivo comum na condução dos resíduos do município”, avaliou.

O diretor da Unicicla, Anderson Viana, destacou a evolução das discussões sobre a gestão dos resíduos após a implantação do fórum, em setembro de 2016. Segundo ele, além dos avanços práticos, proporcionar um espaço que une os atores sociais da cidade é gratificante. “Foi uma construção até chegar nesse momento de ter o reconhecimento do trabalho. Ficamos felizes por ter um gestor público que cumpre o que determina e também pelo reconhecimento dos vereadores e da comunidade”, disse.

O Fórum reuniu executivo municipal, catadores da Unicicla, representantes da Redesol MG, Programa Novo Ciclo, Prefeitura de Barão de Cocais, Centro Mineiro de Referência em Resíduos, Ministério Público de Minas Gerais, entidades da cidade e de municípios vizinhos, além da comunidade local.

Sustentabilidade passa pela gestão dos resíduos sólidos


A discussão da valorização do trabalho realizado pela reciclagem está associada à proposta de desenvolvimento sustentável. Para o secretário de Meio Ambiente e de Limpeza Urbana de Barão de Cocais, Rogério Vidal Bastos, o trabalho realizado pelos catadores é necessário para amenizar a degradação ambiental e reduzir a carga que é destinada aos aterros.

“Levar grande parte dos resíduos das cidades para aterros sanitários é pagar para enterrar dinheiro. Atualmente, não é a melhor saída para o meio ambiente. Antes foi adequado para uma situação trágica que o país vivia em relação aos lixões. A opção para diminuir o impacto ambiental é por meio do trabalho dos catadores da reciclagem”, afirmou.

Já a diretora do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), Ângela Rosane de Oliveira, destacou a importância da implantação de planos municipais de resíduos sólidos. “O plano é o guia que permite fazer o diagnóstico do lixo da cidade. Ele tem que apontar caminhos para envolver a cidade, por meio da educação ambiental, mobilização social e formas de divulgação. É uma série de diretrizes, um guia para seguir”, explicou.

A fala da diretora foi ao encontro com o anseio do morador do assentamento Ho Chi Minh de Nova União, Antônio Ribeiro. Segundo ele, a conscientização da população deve ser priorizada. “É importante que o município pense mecanismos para estimular a comunidade para fazer a separação do reciclável. O meio ambiente agradece e a comunidade fica satisfeita”, disse.

Juventude engajada na causa sustentável


Durante a realização do fórum, quatro adolescentes, da comunidade de Altamira, entregaram ao prefeito um abaixo-assinado solicitando a inclusão da localidade no programa de coleta seletiva de Nova União. O grupo concorre ao Prêmio Jovem Empreendedor Social, promovido na cidade, com a proposta de implantação de muros inteligentes para incluir a prática da separação dos resíduos nas comunidades.
Jovens mobilizaram comunidade de Altamira pela implantação da coleta seletiva (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Exposição de arte da Acamares

Exposição foi elogiada durante realização do fórum (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
Quem acompanhou o fórum teve a oportunidade de conferir o trabalho artesanal produzido pela Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares). As peças confeccionadas pelo coordenador de Arte Sustentável, Jair Prates, por meio da reutilização de materiais recicláveis, foram expostas na Câmara Municipal de Nova União e chamou atenção de quem passou pelo local.

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