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23 de fevereiro de 2020

Catadores da Redesol participam da coleta de recicláveis no Carnaval de BH

Equipes são formadas por catadores de empreendimentos e avulsos (Foto: Divulgação/Coomarp Pampulha)

O Carnaval de Belo Horizonte cresceu nos últimos anos e com ele a necessidade de oferecer uma coleta de materiais recicláveis eficiente durante os blocos carnavalescos aumentou. Pelo segundo ano consecutivo, ela é realizada pelos catadores organizados. Desta vez, conta com a inclusão dos catadores avulsos, que antes realizavam a catação de forma independente. Cooperados da Coomarp Pampulha e Coopersoli-Barreiro, filiados à Redesol, participam das equipes de coleta nos dias de folia.

Um dos objetivos dessa interação entre os formatos da profissão é mostrar ao catador avulso o trabalho desenvolvido pelos empreendimentos, como destacou Thiago Henrique Estevan, coordenador da Central de Coleta de Recicláveis, montada para o carnaval, no bairro Floresta.

“Todos os catadores realizam esse trabalho no dia a dia, porém nas cooperativas é de forma organizada e conta com o apoio de diversas instituições. Essa iniciativa visa trazer a possibilidade aos catadores de conhecer a formalização junto às cooperativas e instituições, além de organizar e valorizar o trabalho deles”, disse.

De acordo com a catadora e presidente da Coopersoli-Barreiro, Silvana Assis Leal, a atuação em conjunto está atraindo a curiosidade sobre o trabalho formalizado. “Nós estamos despertando para esses catadores que trabalham na rua como é atuar em uma organização. Estamos, aos poucos, construindo uma parceria com eles. De primeira, não havia essa abertura para conversar, agora eles nos procurem para saber sobre a cooperativa”, contou.

Trabalho nos dias de folia

A logística da coleta conta com cinco unidades da Central de Coleta de Recicláveis: no hipercentro, Floresta, Savassi, Santa Tereza e Pampulha. Cada localidade tem uma equipe de catação, que é identificada com uma cor específica. “O catador pode transitar pela cidade, mas sua base é fixa. Eles são identificados por uma pulseira colorida, na cor da Central que ele está inscrito”, explicou a catadora e presidente da Redesol, Ivaneide da Silva Souza.

A catadora Cleide Maria Vieira realiza o trabalho de apoio na Central localizada na rua Aquiles Lobo, na esquina com a rua Itambé, no Bairro Floresta, e contou que o local tem como finalidade apoiar e organizar o trabalho. “Os catadores coletam os recicláveis nas ruas e trazem para a tenda, onde é feita a triagem entre metal, plástico e papel, e posteriormente a pesagem. Após isso, eles recebem o ticket de pesagem e são remunerados pelo material”.

Triagem do material é realizada na Central de Coleta de Recicláveis (Foto: Divulgação/Coomarp Pampulha)

Segundo a catadora Rosilene Aparecida Barbosa, o material mais coletado nos dias de carnaval é a latinha de alumínio, seguido pelo plástico e papel. Ela revelou que a equipe de coleta é sempre muito bem recebida pelos foliões. “Alguns vêm ao encontro para deixar seu material com a gente, mas o que mais está sendo feita é a catação na rua. Eles deixam no chão e nas lixeiras, pois já esperam que nós catadores vamos passar por ali para coletar”, disse.

Latinha de alumínio é o material mais coletado nas ruas (Foto: Diego Cota/Redesol)

Neste ano, a atuação dos catadores foi dividida nos três momentos da festividade: pré-carnaval (15 e 16/02), carnaval (21 a 25/02) e pós-carnaval (29/02). Ao todo, são oito dias que estão proporcionando uma experiência inédita, como destacou Ivaneide. “É a primeira vez que o trabalho vai ser realizado no pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval. Achei bem interessante a participação no pré, porque serviu para nos organizarmos melhor. Está sendo uma experiência rica de aprendizado, como no planejamento das ações”, disse.

Além de ser remunerado pela diária de trabalho, o catador recebe pelo volume de material coletado. Esse é um fato positivo para a catadora Elis Regina Martins Silvério. “Na minha avaliação, a experiência do carnaval está sendo muito boa. Esse formato de trabalho me agrada, porque é mais tranquilo e com uma remuneração maior”, apontou.

Para o coordenador Tiago, o pagamento imediato está sendo o diferencial. “O trabalho está fluindo bem, porque estamos conseguindo realizar um trabalho diferenciado, que é a remuneração na hora. Isso favorece muito o catador avulso que precisa do dinheiro no momento da entrega do material”, disse.

A iniciativa é realizada pela Ambev, em parceria com a Belotur e a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), e executada pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), com a participação das associações e cooperativas de Belo Horizonte e catadores avulsos.

Foto: Diego Cota/Redesol

Foto: Diego Cota/Redesol

Foto: Diego Cota/Redesol

16 de setembro de 2019

Catadores são contratados para execução da coleta seletiva, em Belo Horizonte

Contratação dos catadores é um marco para a gestão de resíduos em Belo Horizonte (Fotos: Diego Cota/Redesol)
Agora a coleta seletiva da capital mineira é com os catadores. A Prefeitura de Belo Horizonte, em parceria com as seis cooperativas e associações da cidade, lançou o novo formato da coleta, que contará com a inclusão dos catadores na prestação do serviço de coleta porta a porta, a partir desta terça-feira (17/09).

A entrega das chaves dos caminhões aconteceu nesta segunda-feira (16/08), no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro. A solenidade contou com a presença do prefeito Alexandre Kalil, das lideranças e catadores dos empreendimentos solidários, da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) e apoiadores da causa.

A contratação é resultado de uma articulação de vários anos entre os catadores e o executivo municipal, que vem desde a constituição das associações e cooperativas, passa pela formação das redes, entre elas a Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol), e a criação e fortalecimento do Fórum Municipal Lixo e Cidadania, importante espaço para a política pública da gestão dos resíduos sólidos.


Para a presidente da Redesol, Ivaneide da Silva Souza, o contrato vem para coroar o trabalho de mais de uma década e que agora inicia uma nova etapa. “Há muitos anos a gente vem lutando por isso e chegou o momento. Esse é o primeiro passo de uma caminhada pelo reconhecimento do trabalho que as cooperativas e associações prestam à cidade. Nós estamos felizes com essa conquista. O município passa os caminhões como um voto de confiança em nós”, disse.


Além da contratação para execução do serviço, a SLU cedeu seis caminhões compactadores para a atividade e ficará responsável pelo planejamento e fiscalização. O superintendente de limpeza urbana, Genedempsey Bicalho Cruz, lembrou que o momento faz parte de um processo sólido de construção coletiva.

“A cerimônia de hoje é singular, porque uma prática com essa modelagem não se encontra em outro lugar. Estamos aqui porque existe uma condução anterior que de três anos pra cá ganhou sustentação e celeridade. Gostaríamos de externar nossa confiança na prestação de serviço com a qualidade que a cidade merece”, enfatizou.

Quatro dos seis empreendimentos contratados são filiados à Redesol. São eles: Associação dos Recicladores de Belo Horizonte (Associrecicle-BH), Cooperativa dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis da Pampulha Ltda (Coomarp Pampulha), Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Região Oeste de Belo Horizonte (Coopemar Oeste) e a Cooperativa Solidária dos Recicladores e Grupos Produtivos do Barreiro e Região (Coopersoli-Barreiro).


Ivaneide acredita que a execução da coleta pelos catadores vai transformar positivamente o trabalho nas cooperativas. “Com nossa expertise com a coleta seletiva, com o conhecimento dos materiais recicláveis e também do corpo a corpo com a população, a gente acredita que esse material vai chegar com maior qualidade e vai ter mais volume no galpão, que vai agregar valor e também aumentar o número de postos de trabalho”, revelou.

Nesta terça-feira (17/09), os 36 bairros que são atendidos pelo serviço na capital passam a ser percorridas pelos catadores. Para mais informações sobre quais localidades atendidas e os dias de coleta, clique no link.

Confira mais fotos em nossa página no Facebook.



Ivaneide Souza, Alexandre Kalil, Genedempsey Bicalho e Maria Madalena Rodrigues

Ivaneide agradeceu o empenho da equipe da SLU no processo de contratação

Entrega das chaves para a Associrecicle-BH

Entrega das chaves para a Coopersoli-Barreiro

Entrega das chaves para a Coopemar Oeste

Entrega das chaves para a Coomarp Pampulha

26 de junho de 2019

VI Encare: parceiros da Redesol receberam certificado de reconhecimento

Fotos: Diego Cota/Redesol MG

Uma característica dos catadores da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol) que ficou evidente no VI Encontro de Catadores da Redesol (VI Encare) foi a gratidão aos parceiros que têm contribuído com o desenvolvimento dos empreendimentos solidários. Por isso, foi destinado um momento para homenagear as instituições públicas e privadas que fazem parte dos avanços da rede.

O primeiro a receber o certificado de reconhecimento pela parceria foi o prefeito de Nova União, Ailton Guimarães. Sua gestão implantou a coleta seletiva na cidade, com apoio da Unicicla, e contratou os catadores pelos serviços prestados.


“Nosso trabalho é de reconhecimento à parceria dos catadores junto a nós da administração pública. As lutas diárias constroem a nossa história. O resultado cada um de nós vai conquistar de acordo com aquilo que espalhamos. Temos que valorizar todas as ações e todos os momentos”, disse.

Em seguida, o certificado foi concedido ao prefeito de Baldim, Alex Vander. Em 2019, a parceria com a Comarb se intensificou. “Neste ano as coisas melhoraram e estamos tendo condições de dar um apoio maior à associação. Fico muito lisonjeado com essa homenagem, mas quem deveria ganhar sempre são vocês catadores que fazem um trabalho essencial para nosso meio ambiente”, afirmou.


Outras instituições foram homenageadas. A Redesol concedeu o certificado ao Centro Público de Economia Solidária, Danone, Fundación Avina, LM Consultoria (Lelis Fonseca), Rede de Catadores do Sul e Sudoeste de Minas Gerais (Rede Sul), Bazo Soluções (CataFácil), Instituto Unimed-BH, Ciclus (Fátima Gottschalg), ONG Moradia e Cidadania, ONG Taquaraçu EcoTur, ONG Leão, Rede Comunitária em Ação (Recoa) e Women in Informal Employment: Globalizing and Organizing (WIEGO).

Equipe do Programa Novo Ciclo

10 de junho de 2019

Semana do Meio Ambiente: Redesol conscientizou funcionários da TV Globo Minas

Fotos: Diego Cota/Redesol MG

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol) participou da feira de economia solidária realizada na TV Globo Minas, nos dias 6 e 7 de junho. Entre as exposições no local, esteve o Espaço do Catador, onde a rede discute formas de acesso à reciclagem e a importância da conscientização em torno da coleta seletiva.

A catadora Cleide Maria Vieira explica que o debate na sede da TV passou pelo esclarecimento do retorno social que envolve a reciclagem de resíduos. “Muitas pessoas perguntam como elas podem ajudar na coleta, como é possível fazer adequadamente a separação. Aqui nós explicamos todos os passos para que a pessoa possa contribuir com o nosso trabalho”, contou.

A importância, segundo Cleide, envolve também a apresentação dos próprios catadores, como uma divulgação de parte da equipe que contribui para o importante trabalho de triagem e devolução de resíduos na cadeia produtiva da reciclagem.


O alcance das informações sobre reciclagem para a equipe mineira da Rede Globo tem desdobramentos nacionais, segundo a funcionária da área de finanças e infraestrutura, Carol Oliveira. Para a empresa, sustentabilidade e responsabilidade social caminham juntas. Um exemplo iniciado na capital mineira está sendo difundido para outras filiais do Brasil.

“Aqui, as pessoas estão mais engajadas em relação à coleta seletiva. Nossa iniciativa intitulada ‘Plástico zero’ está sendo reproduzida no Rio, em São Paulo, Recife, entre outras capitais. O impacto dessa iniciativa em uma unidade, como no Rio de Janeiro, que conta com dez mil funcionários, é enorme”, disse.

Pensando nessas parcerias, a Redesol se dispõe a conversar com diversos setores da sociedade. O trabalho informativo em torno da reciclagem possibilita a conscientização maior por parte da população e o principal retorno é uma sociedade mais limpa e sustentável.


28 de março de 2019

Com apoio dos catadores da Comarb, mobilização chama atenção para coleta seletiva, em Baldim/MG

Mobilização envolveu alunos de escolas municipais e estaduais em dois dias de atividades (Foto: Diego Cota/Redesol)

Se depender do empenho dos estudantes da cidade de Baldim, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a coleta seletiva vai ser um sucesso. Nos dias 21 e 22 de março, a prefeitura local, em parceria com as catadoras e catadores da Associação dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis de Baldim (Comarb), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol), promoveu ações de conscientização ambiental para a coleta seletiva, em comemoração à Semana da Água.

O espetáculo “Nem tudo que há no lixo, não é lixo não”, estrelado pelos personagens Dona Recicla e Dom Cata Tudo, da atriz Raquel Quintão e do ator Márcio Vesoli, mobilizou os estudantes de escolas municipais e estaduais de Baldim e do distrito de São Vicente. A interação com os alunos começou com uma peça teatral, onde foi explicado como deve ser feita a separação do resíduo reciclável para a coleta seletiva e sua importância para a preservação ambiental.

Na segunda parte da atividade, os estudantes foram às ruas do pequeno município em um cortejo com música e cartazes coloridos chamando a atenção da população e dos comerciantes para a necessidade da adoção de práticas sustentáveis. A catadora da Comarb, Elena Gomes Candeia, revelou que a ação já começou a surtir efeito. “Em grupos de discussão, moradores e comerciantes já cobram a instalação de um ponto de entrega no centro da cidade”, disse.

Estudantes confeccionaram cartazes e faixas para o cortejo (Foto Diego Cota/Redesol)
A secretária de meio ambiente de Baldim, Cláudia de Castro Rosa, contou que a atividade precede uma ação prática de coleta que vai envolver as escolas, inicialmente pela Escola Municipal São Bernardo. “Vamos fazer uma experiência de aqui ser um ponto de entrega voluntária (PEV). Não vai ter dia determinado da semana para eles trazerem os recicláveis. Nesse início, vai ser livre. Tudo que for produzido em casa, eles vão trazer pra cá, todos os dias. A Comarb vai coletar esse material”, revelou.

“A associação dos catadores é muito importante. É um local que temos para a destinação correta. São pessoas que fazem um trabalho necessário. Então, estamos empolgados porque queremos que essa parceria evolua cada dia mais”, completou Cláudia.

Para Elena, a ação foi positiva, tanto para os alunos quanto para os catadores que se empenharam na realização. “Com essa mobilização, esperamos que a população destine corretamente o reciclável e contribua para uma cidade mais limpa e sustentável. Também visamos a melhora na renda dos associados”, contou.

Iniciativa foi realizada em conjunto com as catadoras e catadores da Comarb (Foto: Diego Cota/Redesol)


A mobilizadora Raquel Quintão destacou que toda ação tem poder de transformar uma determinada realidade, mas ponderou que, para Baldim evoluir com o programa de coleta seletiva, é necessário envolver todos, não apenas os estudantes. “Para as crianças, a proposta do teatro foi perfeita, pois temos que tratar de uma forma lúdica, mas só o teatro não funciona. Para avançar com o serviço de coleta seletiva, é preciso envolver vários atores da comunidade, com atividades variadas para diferentes públicos”, sugeriu.

O ator Márcio Vesoli lembrou que a educação ambiental deve ser uma ação contínua. “Ela funcionou nesse primeiro momento, mas deve ser constante. Só vai continuar funcionando se tiver o incentivo da escola, Comarb, Prefeitura e secretarias. Então, tem que ser um trabalho feito com cautela e constância e precisa atingir os comerciantes”, disse.

Dona Recicla e Dom Cata Tudo levaram alegria com informação para as crianças (Foto: Diego Cota/Redesol)


Interação com os estudantes

Durante toda a ação, seja no teatro ou no cortejo, a interação dos estudantes com o tema foi intensa. A forma lúdica e bem-humorada despertou o interesse das crianças. “Nosso objetivo é levar alegria, brincadeira, poesia, arte e cultura, mas muita informação. É transformar a comunidade através do fazer artístico, com os pensamentos da mobilização social, voltado para a reciclagem, para o meio ambiente e resíduos, e principalmente despertar em cada pessoa a responsabilidade com todos aqueles resíduos que produz”, explicou Márcio Vesoli.

Veja, no vídeo a seguir, um trecho da apresentação.



Previamente, as escolas trabalharam o tema com os estudantes, por meio de ensaio das músicas e da confecção de cartazes e faixas educativas para o cortejo. De acordo com a secretária de educação do município, Silvane Emilia Franco Fonseca, cerca de 500 alunos tiveram acesso à atividade nos dois dias de ação. Ela destaca que esse público tem potencial para proliferar o aprendizado em casa.

“Para que haja essa interação das crianças, deve haver o trabalho conjunto dos gestores públicos. Geralmente são as crianças que vão orientar os pais nessas questões. Será o início de um trabalho que vamos dar continuidade”, disse Silvane.

Participações

Primeira atividade foi realizada na Escola Municipal São Bernardo (Foto: Diego Cota/Redesol)

Participaram da ação a Redesol e o Programa Novo Ciclo, por meio da Comarb. Por parte do executivo municipal, foi um trabalho conjunto das secretarias de Meio Ambiente, Educação e Saúde. A parte lúdica de mobilização foi feita por Dona Recicla e Dom Cata Tudo, do Coletivo MundicÁ, e pelo Palhaço Olegário, do Circo Miudinho.

Márcio Vesoli, o Dom Cata Tudo, do Coletivo MundicÁ, revelou a satisfação em fazer parte da ação. “Agradeço imensamente a prefeitura e as secretarias por nos ter chamado. Foi muito bacana ter ido, ficamos muito satisfeitos. Ficamos felizes com a participação das pessoas, da mobilização da cidade. Foi incrível essa parceria”, disse.

Acesse nossa página no Facebook e veja mais fotos da ação (Foto: Diego Cota/Redesol)

27 de dezembro de 2018

Coleta Seletiva com inclusão dos catadores é realidade, em Jequitibá/MG

Passeata marcou lançamento do serviço, em Jequitibá (Foto: Karla Gonçalves/Prefeitura de Jequitibá)

O município de Jequitibá, localizado a cerca de 110 km de Belo Horizonte/MG, deu um passo importante para o tratamento correto dos resíduos sólidos. Em parceria com a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Baldim (Comarb), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), a Prefeitura de Jequitibá lançou, na quarta-feira (31/10), o Programa de Coleta Seletiva “Jequitibá Recicla”.

A coleta começou para valer na segunda-feira (10/12). Ela é realizada nas segundas e quintas-feiras. Após muito tempo de reivindicação, a catadora da Comarb, Elena Candeia, conta que o sentimento é de dever cumprido. “Estávamos há três anos lutando pela implantação da coleta seletiva com a participação dos catadores”, revelou.

Para a presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, é um grande avanço para a associação, pois vai mudar pra melhor a forma de trabalhar com os resíduos sólidos. “Não é possível o catador triar o material in natura, pois ele traz uma condição de vida muito ruim para esse catador. Em Jequitibá era essa situação. A coleta seletiva é um avanço, é o primeiro passo, pois o que buscamos mesmo para a sustentabilidade do grupo é a contratação pelo serviço de coleta e triagem de materiais”, ponderou.

Para que o diálogo fosse contínuo e tivesse embutido a expertise dos catadores, a Redesol MG e o Programa Novo Ciclo foram atuantes no processo de sensibilização dos gestores municipais. Em junho, começou a ser elaborado o Plano de Mobilização para a Coleta Seletiva, criado pela rede, onde foram elencadas as potencialidades de Jequitibá e também os diversos parceiros dentro da cidade.

“Foi um dos municípios que avançaram com o plano, aproveitaram bem essa oportunidade. É um resultado bem positivo desse processo que a Redesol vem construindo com as bases, visamos fortalecer os empreendimentos, por meio da implantação de coleta seletiva, com melhor qualidade de materiais para as unidades. Isso proporciona melhor renda e melhor qualidade de vida”, disse Ivaneide.

Redesol MG e Programa Novo Ciclo auxiliaram na implantação da coleta seletiva (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

“Fiquei muito emocionada porque almejo esse momento há muito tempo. A Comarb tem quase dez anos de luta e agora vemos nosso sonho ser realizado. Atuamos há apenas três anos em Jequitibá. Foi muito bom poder contar com pessoas que nos acompanham desde início para nos prestigiar neste lançamento”, revelou Elena Candeia.

Lançamento reuniu catadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Foto: Karla Gonçalves/Prefeitura de Jequitibá)

A implantação da coleta seletiva se desenha com o potencial de mudar a realidade diária dos catadores da Comarb. Até então, o galpão recebia todo o resíduo domiciliar da população para os catadores retirarem dele o material reciclável, em uma situação irregular e nociva à saúde. Com a disponibilidade do serviço, os trabalhadores poderão destinar tempo e energia para a separação dos materiais recicláveis diretamente para a comercialização.

Dia do lançamento contou com passeata

No dia do lançamento, foi realizada uma passeata pelas principais ruas da cidade com objetivo de chamar a atenção da população para a novidade em Jequitibá e também para conscientizar sobre o risco da dengue. Houve a participação de alunos e funcionários da Escola Municipal Lourismar Palhares Machado e Escola Estadual Professor Vitor Pinto. A ação foi realizada pelas secretarias municipais de Saúde e de Meio Ambiente de Jequitibá.

11 de setembro de 2018

Muro Inteligente: conheça o equipamento que tem promovido a coleta seletiva espontânea, em Pedro Leopoldo

Equipamento chama atenção dos morados para o descarte correto dos resíduos (Foto: Divulgação/Recoa PL)
Uma iniciativa inovadora, que tem como finalidade promover o hábito de destinar corretamente os resíduos recicláveis, tomou conta do município de Pedro Leopoldo, localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Nomeado como Muro Inteligente, o equipamento de entrega voluntária de resíduos foi proposto e difundido pela Rede Comunitária em Ação (Recoa), parceira da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG).

O material depositado nos muros é recolhido pela Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Pedro Leopoldo (Ascapel), filiada à Redesol MG. Segundo a presidente do empreendimento, Luciene Pereira de Almeida, a iniciativa aumentou a quantidade de material trabalhado na associação. “Deu impacto positivo na Ascapel, porque o material que a gente não tinha, hoje nós temos”, disse.

Ela explicou que em Pedro Leopoldo a coleta seletiva porta a porta é realizada uma vez por semana em cada bairro. Com isso, muitos moradores não gostavam de juntar o material durante esse tempo. A presença de muros pela cidade contribuiu para a mudança de hábito. “Com eles melhorou bastante, pois as pessoas que não esperavam pela coleta nas casas, passaram a depositar os recicláveis nos muros”, revelou.

Muro contém informações sobre os materiais (Foto: Divulgação/Recoa PL)

O equipamento está presente em 14 localidades. Estão geralmente em escolas da cidade e sua presença está aliada com ações de educação ambiental com os estudantes. O muro possui orifícios indicando o tipo de material que deve ser depositado em cada um. Atrás deles, existem gaiolas contendo os bags que comportam o material depositado e facilitam o recolhimento pelos catadores da Ascapel.

Segundo a coordenadora da Recoa, Márcia Lopes, o equipamento beneficia toda comunidade. “Os muros inteligentes são uma tecnologia social extremamente importante e de fácil identificação. Ele trás benefícios diretamente para a Ascapel. Para a comunidade trás a sensibilização ambiental. Os resíduos sólidos são responsabilidade de todos nós e temos que participar dessa gestão”, disse.

Iniciativa engloba trabalho artístico desenvolvido por adolescentes

Cada muro é caracterizado por uma arte desenvolvida em equipe por adolescentes da cidade. O grafite é feito para chamar atenção para a presença do equipamento, sempre com uma temática definida, além de levar algumas informações sobre os materiais. “Os grafiteiros são formados pela Recoa. Eles passam por uma capacitação que envolve ensinar o grafite e o respeito ao patrimônio público”, revelou Márcia.

Os jovens artistas contaram que o início do processo se deu com uma seleção realizada nas escolas buscando alunos que tinham habilidade em desenhar. Logo após, foram iniciadas as oficinas. “Nos apresentaram o projeto e qual a proposta da iniciativa”, contou Mateus Dias, de 18 anos, que ficou satisfeito com o resultado. “Fiquei muito feliz, porque sempre quis mostrar minha arte para um número maior de pessoas. Fiz e deu certo”, disse.

Projeto abre espaço para trabalho com jovens da cidade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)


Mudança de hábito da população é realidade na cidade

Mateus contou que após a instalação de um muro inteligente no bairro onde mora, mais pessoas têm separado os recicláveis e isso reflete no aspecto do bairro. “O pessoal do meu bairro sempre coloca o reciclável nos muros. Já reduziu bastante a quantidade do que era descartado nas ruas”, revelou. Poliana Ribeiro, de 18 anos, que também faz parte do projeto como grafiteira, aponta a mudança de comportamento. “As pessoas estão aprendendo a separar o lixo que dá pra reutilizar”, disse.

Teodora Dureva, de 33 anos, ficou surpreendida ao saber que uma iniciativa como a dos muros inteligentes é algo raro na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A búlgara mora em Pedro Leopoldo há cerca de dois meses e usa os muros desde então. Durante os dois anos que reside no Brasil, ela não se recorda de uma iniciativa similar nas cidades onde morou. “Belo Horizonte é a terceira maior cidade do país e quase não tem esse tipo de equipamento. Morei em São Paulo e também não tinha nada disso. É uma vergonha”, revelou.

Diante da situação, ela aprovou a presença dos equipamentos na cidade, mas opinou que é preciso conscientizar mais as pessoas quanto a destinação correta. “Os muros inteligentes são muito bons, mas acho que é preciso mais. Também o povo tem que ser educado, tem que haver propaganda, pois vejo muito lixo nas ruas e nos quintais. Nas escolas é muito importante discutir o tema”, disse.

De onde veio?

O projeto dos muros inteligentes surgiu de um problema comum enfrentado por Pedro Leopoldo: a gestão de resíduos sólidos. Ele foi iniciado em 2013, quando o Instituto Holcim, integrado com a Rede América, capacitou associações para desenvolverem um projeto que tinha como finalidade resolver um problema comum a todos. O fato de a Ascapel participar do grupo levantou a necessidade de contribuir com a destinação dos resíduos, tópico que beneficia diretamente todos da cidade.
Muro Inteligente situado na Apae da cidade (Foto: Divulgação/Recoa PL)

3 de julho de 2018

Redesol MG é parceira no processo de implantação da coleta seletiva, em Jequitibá

Comarb, empreendimento filiado à Redesol MG, vai realizar o serviço (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Jequitibá, cidade distante 112 km de Belo Horizonte, está próxima de entrar na lista dos municípios que executam a coleta seletiva. A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), por meio da Associação dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Baldim (Comarb), e o Programa Novo Ciclo são parceiros da prefeitura no processo de implantação.

Em reunião realizada na quarta-feira (13/06), que contou com a presença do prefeito da cidade e dos secretários que compõem a administração, começou a ser elaborado o Plano de Mobilização para a Coleta Seletiva, criado pela Redesol MG. Na ocasião, foram elencadas as potencialidades de Jequitibá e também os parceiros para a sensibilização junto aos moradores. A proposta da cidade é que o serviço esteja disponível a partir do mês de agosto.

A Comarb, empreendimento filiado à Redesol MG, tem sede na cidade e a coleta será realizada pelos catadores associados. De acordo com a presidente da associação, Elena Gomes Candeia, a iniciativa vai melhorar as condições de trabalho. “Atualmente, os catadores têm que abrir os sacos de lixo domiciliar para tirar os recicláveis. Com a coleta seletiva, o material vai vir limpo, preservando a saúde dos catadores e desenvolvendo sua renda”, disse.

A presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, explica que a implantação e revitalização do serviço é uma forma segura de aumentar o ganho dos catadores e a qualidade de vida na cidade. “Se não tiver a implantação da coleta seletiva no município, e isso só pode ser feito pelos gestores públicos, não é possível aumentar a renda do catador e os postos de trabalho”, revelou.

Com o serviço em parceria com os catadores, Jequitibá passa a cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010. “Além de atender a legislação, temos como norte a sustentabilidade. A partir do momento que trabalhamos dentro da lei e em prol de uma qualidade ambiental, temos essa sustentabilidade das ações de médio e longo prazo”, explicou a secretária de meio ambiente, Poliana Aparecida Valgas de Carvalho.

A partir do plano da rede, Jequitibá destinará o reciclável de forma sustentável (Foto: Diego Cota/Redesol MG)


Para que a coleta seletiva se mantenha como uma prática constante na cidade, é necessário o envolvimento de vários atores locais, como aponta o técnico da Redesol MG no Programa Novo Ciclo, Lelis Fonseca. “Além do poder público com suas secretarias, tem as associações comunitárias e outras. Cada ator tem sua importância. É um catalizador para que ninguém fique de fora do processo. Todos devem ter sua obrigação com o meio ambiente e com a implantação da coleta”, disse.

22 de maio de 2018

Fórum Lixo e Cidadania: catadores da Acamares expõem insatisfação com prefeitura de Sarzedo

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Construir um espaço democrático para discutir a situação da gestão dos resíduos sólidos e buscar soluções conjuntas para enfrentar os problemas. Com esse objetivo, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), promoveu o Fórum Regional Lixo e Cidadania de Sarzedo e Mário Campos, na sexta-feira (18/05), no Centro de Referência da Pessoa Idosa de Sarzedo.

Em sua segunda edição, foi colocado aos participantes o descontentamento dos trabalhadores da associação com a falta de compromisso do executivo sarzedense em atender demandas básicas para realização do serviço. “Somos uma das melhores cidades da região metropolitana, mas isso não reflete no trabalho dos catadores. É uma vergonha para o município de Sarzedo”, disse a presidente da Acamares, Marli Beraldo.

“A gente espera uma efetivação da política pública, a gestão dos resíduos sólidos, que hoje não é consolidada no município”, apontou. No início do ano, foi implantada a coleta seletiva municipal, que, a princípio, disponibiliza o serviço nos prédios públicos e para o comércio. Segundo a catadora da Acamares, Ludmila Rodrigues da Silva, esse fato não trouxe mudança para o empreendimento.

Ela revela que, desde então, o material no galpão está pouco. Além disso, parte do que recebem junto com o reciclável são inapropriados para comercialização. “A expectativa era que melhorasse a quantidade de material depois da implantação da coleta, mas não foi isso que aconteceu. Tem muitos que já desanimaram, porque a renda que tiramos lá não dá para manter uma família”, explicou Ludmila.

Além de a situação ser negativa para a geração de renda, Marli releva que o fato influencia no trabalho como um todo. Nesse momento, a associação aguarda o cumprimento, por parte da prefeitura, de um convênio. “A coleta ainda não impactou na renda. A gente está esperando uma resolução da parceria de fomento entre prefeitura e Acamares, que visa a mudança para um galpão que dê estrutura de trabalho com dignidade”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

A presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, cobrou do município, representado pelo secretário de meio ambiente, a garantia de uma remuneração digna ao grupo, já que o volume recebido por meio da coleta seletiva municipal não é suficiente para alcançar uma renda justa. “Vemos muitas pessoas boas na associação que acreditam nesse negócio, mas que infelizmente, por questão de sobrevivência, são obrigadas a sair”, lamentou.

“A gente vem buscando a contratação dos catadores. É uma pauta que tem avançado nos municípios da região metropolitana. É importante porque temos dificuldades de garantir uma renda mínima, de cerca de um salário mínimo, com o volume de material nos galpões. Nosso objetivo é encontrar caminhos para melhorar a qualidade de vida dos catadores”, completou Ivaneide.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

O fórum contou com a presença dos catadores da Acamares, comunidade local, Redesol MG, Programa Novo Ciclo, ONG Natureza Viva, vereadores locais, representantes das prefeituras de Sarzedo, Mário Campos e Ibirité. Houve apresentação do grupo da terceira idade do Centro de Referência da Pessoa Idosa, que descontraiu o público.

Investir na coleta seletiva beneficia o município


A coleta seletiva, aliado ao trabalho dos catadores, se torna cada vez mais um serviço essencial. O bom diálogo entre as partes, prefeitura e trabalhador, tem a capacidade de proporcionar avanços necessários na busca pelo desenvolvimento sustentável. Entretanto, antes de pensar no fim positivo proporcionado pela atividade, é preciso valorizar os catadores, por meio da inclusão produtiva.

Durante o fórum, o diretor do Departamento de Projetos Ambientais da Prefeitura de Ibirité, Gilvando Elen de Oliveira, contou um pouco da experiência positiva da cidade vizinha, aliado ao tratamento digno. “Com o apoio financeiro da gestão municipal, o catador tem o suporte que vai animar ele a executar o trabalho. Tendo as despesas garantidas pelo município, sobra só o papel de fazer a triagem para retirar sua renda”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Além do cuidado ambiental com os resíduos sólidos, que é de responsabilidade do município garantir à população, investir em práticas sustentáveis trazem benefícios para as contas públicas, como destacou Gilvando. “Esse trabalho evita que muitas toneladas de materiais sejam enterradas nos aterros. O executivo acaba economizando ao fazer o serviço de coleta seletiva”, revelou.

Para o integrante da ONG Natureza Viva, Washington Alves dos Santos, o caso de Sarzedo é problemático, porque a cidade tem uma das maiores rendas per capita da região, mas não investe no serviço. Com essa situação, ele aponta a necessidade de exigir constantemente uma atuação favorável da prefeitura. “Não faz sentido não investir na coleta seletiva. Acredito que o desafio seja enorme, pois é preciso pressionar o poder público por meio de redes de entidades articuladas”, disse.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Foto: Diego Cota/Redesol MG

11 de maio de 2018

Redesol MG é exemplo para formalização de grupo de catadores em Bom Jesus do Amparo

Destinação correta dos resíduos é interesse unânime na cidade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

O trabalho desempenhado pelos catadores filiados à Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) é a referência do setor na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Diante disso, a rede desenvolve o papel de mediadora no diálogo dos catadores de Bom Jesus do Amparo com o executivo municipal, no objetivo de formalizar um empreendimento solidário na cidade e contribuir na implantação da coleta seletiva.

Em reunião realizada na quinta-feira (26/04), na Câmara Municipal da cidade, que contou com a presença da Redesol MG, Programa Novo Ciclo, catadores do município, representantes do executivo e legislativo, foram discutidos os anseios dos trabalhadores com relação à formalização do grupo, bem como o apoio da prefeitura nesse processo. A proposta do executivo visa se adequar à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305/10.

O grupo de Bom Jesus do Amparo é formado por quatro catadores que trabalham informalmente no lixão da cidade, separando o material reciclável em meio ao lixo produzido. Segundo o catador e presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), Anderson Viana, o associativismo pode contribuir na melhoria das condições de trabalho. “Formalizar o grupo vai ajudá-los a avançarem”, disse.

Para a presidente da Redesol MG, Ivaneide da Silva Souza, a formalização deve vir acompanhada da definição de um local de trabalho para que a cidade possa evoluir. “É necessário um local certo para os catadores. Para fazer a mobilização, deve ter a perspectiva de um galpão, seja próprio ou alugado. O diálogo entre executivo e legislativo deve ser logo para definir a questão desses trabalhadores”, sugeriu.

O prefeito Dário Ferreira Motta revelou que existe um planejamento para construção de um galpão para o serviço de triagem de materiais recicláveis, que serão recolhidos principalmente pela coleta seletiva que o município quer instituir. “Pretendemos construí-lo no mesmo espaço que os catadores estão, que é em uma área que possui cerca de três hectares. Com relação a isso, não vejo dificuldade nenhuma”, pontuou.

De acordo com o secretário de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente, Adílson José Eduardo, um passo já foi dado ao descarte legal dos resíduos e que há interesse da prefeitura em investir nos catadores. “Para a destinação, o contrato já está assinado com o Aterro Sanitário de Macaúbas, em Sabará. Quanto a reciclagem, a prefeitura tem vontade de fazer acontecer. Todo apoio que precisar, a gente vai ter”, explicou.

Redesol MG é parceira na formalização do grupo de catadores (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Cidade busca se adequar à lei nacional


Bom Jesus do Amparo, distante 67 quilômetros de Belo Horizonte, encontra-se atrasada em sua gestão dos resíduos produzidos pela população. Ela faz parte do grupo das que ainda possuem lixão, situação irregular de acordo com a PNRS. O objetivo é erradicar com a prática de descarte ilegal e recuperar a área, que também é utilizada pelos catadores.

Assessor técnico da Redesol MG no Programa Novo Ciclo, Lélis Fonseca destacou o empenho das pessoas envolvidas na causa. “Esse anseio está alinhado, porque grande parte dos vereadores está interessada em um problema que é social e econômico, então essa proposta é uma solução. A coleta seletiva proporciona um ganho social e ambiental para as cidades com a separação dos resíduos sólidos e com a inclusão dos catadores”, afirmou.

7 de maio de 2018

Ação em Taquaraçu de Minas chama atenção para necessidade da coleta seletiva

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Iniciativa teve Unicicla como parceira e contou com apoio da Redesol MG e Programa Novo Ciclo

Taquaraçu de Minas, cidade pacata distante cerca de 60 quilômetros da capital Belo Horizonte. Mesmo com a proximidade, a tranquilidade remete ao interior distante do grande centro. A margem do rio que dá nome ao município, está uma população que no sábado (28/04) resolveu fazer diferente em prol de uma causa essencial para o desenvolvimento sustentável.

Mobilizados pela iniciativa Jogue Limpo com Taquaraçu, os moradores separaram os resíduos recicláveis para a coleta seletiva porta a porta, realizada pela ONG Taquaraçu Ecotur. A ação contou com parceria da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), filiada da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG).

Segundo o idealizador e diretor da ONG, Jânio de Lima Marques, o objetivo é chamar a atenção para a gestão dos resíduos da cidade. “A nossa intenção é provocar os órgãos públicos para implantação da coleta seletiva no município e também fazer uma parceria para a Unicicla receber o material recolhido. Para aquele que não for reciclável, que a prefeitura faça um contrato para enviar a um aterro e por fim no lixão da cidade”, explicou.

Os catadores, juntamente com o caminhão da coleta promovida pela ONG, percorreram as ruas do município recolhendo o material separado. Um carro de som que seguia logo na frente chamava a atenção da população alertando que “reciclar, é preciso reciclar”. Segundo o diretor da Unicicla, Anderson Viana, foi coletada por volta de uma tonelada e meia de recicláveis como papelão, plástico, papel, vidro, pneus etc.

Material recolhido foi levado para o galpão da Unicicla, em Nova União (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Além de promover um ganho para Taquaraçu de Minas, a atividade gerou impacto positivo para a Unicicla. “Aumentou a quantidade de reciclável no galpão e agregou para antecipar o fechamento de uma carga. Foi muito bom para os catadores. O material foi todo triado e prensado logo na segunda-feira”, contou Anderson.

“A comunidade abraçou a causa e está pedindo uma nova ação. Tanto que já tem moradores separando para um próximo mutirão. Outra coleta está sendo programada pela ONG. A Unicicla se propõe a dialogar com o poder público do município, juntamente com as entidades locais, empresas e sociedade, com o objetivo de implantar a coleta seletiva de fato na cidade”, revelou.

Segundo o idealizador Jânio de Lima Marques, uma das atividades realizadas pela ONG mostrou a necessidade da coleta seletiva. “A gente já vem fazendo um trabalho de limpeza da margem do rio, retirando o lixo, só que vimos que precisamos ampliar para a cidade, porque ela está muito suja e é importante, pois visamos a implantação da coleta seletiva no município, porque gera renda e ajuda a preservar o meio ambiente”, contou.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

O trabalho de mobilização envolveu as redes sociais e também a conversa direta com a população. Foram distribuídos panfletos de porta em porta e na rua, onde foi explicada a importância do projeto. Segundo a integrante da Taquaraçu Ecotur, Jéssica dos Santos, “o pessoal sente falta do serviço. A receptividade foi boa, muita gente quer ajudar e está sendo conscientizado”, avaliou.

A ação Jogue Limpo com Taquaraçu contou com apoio da Redesol MG e do Programa Novo Ciclo.

Situação da cidade


Além da inexistência do serviço de coleta seletiva, a destinação dos resíduos é irregular, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/10. O caminhão que faz a coleta rotineiramente despeja ao lixo em um lixão irregular, onde é incinerado. A área fica a poucos quilômetros do perímetro urbano. De qualquer ponto da cidade é possível ver a fumaça que sobe entre a mata que circunda o município.

O Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que contém uma série de medidas que devem ser seguidas com o objetivo de atender o artigo 15º da PNRS, determinou um prazo de quatro anos, de 2010 a 2014, para que as prefeituras regularizassem a destinação dos resíduos produzidos. Essa regulação se daria principalmente por meio do fechamento dos lixões. Desde 2014, a existência desses locais, no Brasil, é um crime ambiental passível de pena.