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19 de setembro de 2021

Fórum Lixo e Cidadania tem reunião inaugural em Bom Jesus do Amparo/MG

Ação está inserida no âmbito do Termo de Cooperação Técnica nº 21/2021 (Fotos: Divulgação/Cimos/MPMG)


Os catadores da Unicicla de Bom Jesus do Amparo e a população local agora possuem um espaço para discussão e construção da política pública referente aos resíduos sólidos do município. O Fórum Lixo e Cidadania foi lançado, na sexta-feira (26/08), em evento que contou com a participações dos catadores, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Governo de Minas, executivo local e entidades que apoiam a causa dos catadores.

Há alguns meses, a associação reivindicava um espaço adequado para o trabalho. Com isso, a Coordenadoria de Mobilização e Inclusão Sociais (Cimos), do MPMG, foi acionada pela Comarca de Barão de Cocais, a pedido da Unicicla, para acompanhar a situação. Bom Jesus do Amparo foi a primeira cidade a ser contemplada pelo Termo de Cooperação Técnica nº 21/2021, firmado entre o Estado de Minas Gerais e MPMG, em defesa dos direitos dos catadores de materiais recicláveis.

A Prefeitura informou para os presentes que vai incluir os catadores no orçamento de 2022, com a contratação pelos serviços prestados. Anunciaram também, através da Secretaria de Meio Ambiente, que está sendo elaborado o projeto do galpão de triagem para a associação, mas que ainda precisam definir com os catadores as especificidades da estrutura para o melhor desenvolvimento da atividade. Além disso, planejam promover a educação ambiental na cidade.


Tendo em vista a estrutura do futuro galpão, um dos encaminhamentos do primeiro Fórum foi a visita dos catadores em associações e cooperativas de triagem de outras cidades do estado para conhecer de perto as diversas formas de realização do trabalho. Outro encaminhamento foi a capacitação dos associados para participação no Programa Bolsa Reciclagem, do Governo de Minas.

Para o presidente da Unicicla, Anderson Viana, o Fórum possibilitou o estabelecimento de um diálogo saudável entre os participantes. “Eu achei que proporcionou uma discussão positiva. Acredito que todos ficaram satisfeitos com os encaminhamentos dados. Inclusive, a Unicicla se dispôs a buscar recursos para o município através de editais”, disse.

O lançamento contou com a participação da Cimos/MPMG, Sedese, Semad, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Gestão Ambiental da 381, Ancat, MNCR, Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Procuradora Geral do município, associados da Unicicla, Sindicato dos Produtores Rurais da cidade e vereadores Yuri Mota e Inez Santos, de Bom Jesus do Amparo.

18 de março de 2018

Fórum Lixo e Cidadania de Nova União discute contratação dos catadores da Unicicla

Fórum, iniciado em setembro de 2016, pauta o diálogo sobre os resíduos sólidos (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), que integra a Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), promoveu o Fórum Municipal Lixo e Cidadania de Nova União, na quinta-feira (15/03), na Câmara Municipal da cidade, localizada na Grande BH. O encontro foi realizado em parceria com o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e debateu sobre a garantia dos direitos dos catadores e as formas legais para contratação pelo serviço prestado ao município.

A ocasião contou com a presença do promotor de justiça da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Social do Ministério Público de Minas Gerais (Cimos/MPMG), André Sperling. Durante sua fala, ele esclareceu sobre os meios legais para promover a inclusão dos catadores, como garante a Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Segundo o promotor, a contratação dos catadores pode acontecer de forma imediata, a partir do momento em que o município dispor de recursos. Para realizar esse processo, o artigo 36 da PNRS dispensa a necessidade de licitação e designa que o gestor público deve priorizar cooperativas e associações de trabalhadores da reciclagem.

“Dentro da lei federal, o caminho que Nova União está seguindo é correto, pois a Unicicla tem o direito de receber pelo serviço público que ela presta. De acordo com a política, as associações e cooperativas, formadas por catadores de baixa renda, devem ser priorizadas no recebimento dos resíduos sólidos recicláveis e também devem ser contratados para prestação do serviço”, disse.

Presença da Cimos/MPMG esclareceu dúvidas sobre a contratação dos catadores (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Na última semana, a associação entregou ao município o plano de trabalho junto com os documentos necessários para fortalecer a parceria visando garantir direitos aos catadores. De acordo com prefeito de Nova União, Ailton Guimarães Rosa, há uma necessidade de desenvolver a coleta seletiva municipal para aumentar a capacidade produtiva do empreendimento.

“Vamos aprimorar o programa de coleta seletiva e implantar ecopontos em comunidades distantes. As ações visam elevar o volume de material reciclável na associação e diminuir no montante que é destinado ao aterro sanitário de Sabará. O fórum une todos os elementos da sociedade em busca de um objetivo comum na condução dos resíduos do município”, avaliou.

O diretor da Unicicla, Anderson Viana, destacou a evolução das discussões sobre a gestão dos resíduos após a implantação do fórum, em setembro de 2016. Segundo ele, além dos avanços práticos, proporcionar um espaço que une os atores sociais da cidade é gratificante. “Foi uma construção até chegar nesse momento de ter o reconhecimento do trabalho. Ficamos felizes por ter um gestor público que cumpre o que determina e também pelo reconhecimento dos vereadores e da comunidade”, disse.

O Fórum reuniu executivo municipal, catadores da Unicicla, representantes da Redesol MG, Programa Novo Ciclo, Prefeitura de Barão de Cocais, Centro Mineiro de Referência em Resíduos, Ministério Público de Minas Gerais, entidades da cidade e de municípios vizinhos, além da comunidade local.

Sustentabilidade passa pela gestão dos resíduos sólidos


A discussão da valorização do trabalho realizado pela reciclagem está associada à proposta de desenvolvimento sustentável. Para o secretário de Meio Ambiente e de Limpeza Urbana de Barão de Cocais, Rogério Vidal Bastos, o trabalho realizado pelos catadores é necessário para amenizar a degradação ambiental e reduzir a carga que é destinada aos aterros.

“Levar grande parte dos resíduos das cidades para aterros sanitários é pagar para enterrar dinheiro. Atualmente, não é a melhor saída para o meio ambiente. Antes foi adequado para uma situação trágica que o país vivia em relação aos lixões. A opção para diminuir o impacto ambiental é por meio do trabalho dos catadores da reciclagem”, afirmou.

Já a diretora do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), Ângela Rosane de Oliveira, destacou a importância da implantação de planos municipais de resíduos sólidos. “O plano é o guia que permite fazer o diagnóstico do lixo da cidade. Ele tem que apontar caminhos para envolver a cidade, por meio da educação ambiental, mobilização social e formas de divulgação. É uma série de diretrizes, um guia para seguir”, explicou.

A fala da diretora foi ao encontro com o anseio do morador do assentamento Ho Chi Minh de Nova União, Antônio Ribeiro. Segundo ele, a conscientização da população deve ser priorizada. “É importante que o município pense mecanismos para estimular a comunidade para fazer a separação do reciclável. O meio ambiente agradece e a comunidade fica satisfeita”, disse.

Juventude engajada na causa sustentável


Durante a realização do fórum, quatro adolescentes, da comunidade de Altamira, entregaram ao prefeito um abaixo-assinado solicitando a inclusão da localidade no programa de coleta seletiva de Nova União. O grupo concorre ao Prêmio Jovem Empreendedor Social, promovido na cidade, com a proposta de implantação de muros inteligentes para incluir a prática da separação dos resíduos nas comunidades.
Jovens mobilizaram comunidade de Altamira pela implantação da coleta seletiva (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Exposição de arte da Acamares

Exposição foi elogiada durante realização do fórum (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
Quem acompanhou o fórum teve a oportunidade de conferir o trabalho artesanal produzido pela Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Sarzedo (Acamares). As peças confeccionadas pelo coordenador de Arte Sustentável, Jair Prates, por meio da reutilização de materiais recicláveis, foram expostas na Câmara Municipal de Nova União e chamou atenção de quem passou pelo local.

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18 de janeiro de 2018

Expocatadores 2017: filiada à Redesol MG, Unicicla é destaque em debate sobre fechamento dos lixões

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Definido na Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio da Lei Nº 12.305, de 2010, o fechamento dos lixões, no Brasil, representa, em alguns casos, um empasse entre o poder público e os trabalhadores com materiais recicláveis, muitos em situação de lixão. O assunto foi discutido durante a Expocatadores 2017, realizada em Brasília/DF, na terça-feira (12/12), e mostrou aos catadores formas para assegurar seus direitos neste processo.

Pode parecer controverso. O fechamento dos lixões impactam positivamente nas cidades, uma vez que se espera que o resíduo produzido passe a ser destinado de uma forma mais adequada. Entretanto, muitos catadores conquistam sua renda trabalhando diretamente nesses locais. Caso haja o fechamento sem a inclusão do catador, sem pensar no trabalho por ele desenvolvido, ele vai sair perdendo.

Para que haja diálogo na sociedade é necessário propiciar o espaço, por meio de fóruns lixo e cidadania. Segundo o promotor de justiça da Coordenadoria de Inclusão Social e Mobilizações Sociais do Ministério Público de Minas Gerais (Cimos/MPMG), André Sperling, a entidade utiliza deste artifício como uma forma de fazer cumprir a lei. Entretanto é necessária a mobilização dos trabalhadores.

“A promotoria garante o cumprimento da lei iniciando os trabalhos. Nos municípios, ela dialoga com o executivo municipal e assegura a criação de fóruns de debates, como o Lixo e Cidadania. Esses caminhos existem e devem ser utilizados pelos catadores. Então há necessidade de uma luta política dos catadores para influenciarem as políticas públicas”, disse.

Durante o painel de discussão, o diretor geral da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), filiada à Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores com Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), Anderson Viana, falou ao público sobre a trajetória do empreendimento e os impactos positivos da atuação do Ministério Público no seu município.

“Nós passamos um processo muito triste na questão do lixão. Nós trabalhávamos nessa situação e sentimos que teria que fechar. Fizemos uma articulação com a Cimos para o estabelecimento do Fórum Lixo e Cidadania, que resultou no estreitamento da relação Unicicla e prefeitura para fazer a coleta seletiva na cidade. Foi um avanço para todos os catadores da Região Metropolitana de Belo Horizonte”, revelou.

Para o membro da Defensoria Pública da União, Claudio Luiz dos Santos, o fechamento dos lixões deve se dar juntamente com a contratação dos catadores, associações e cooperativas para a gestão dos resíduos sólidos de cada cidade. “Só pode encerrar as atividades dos lixões quando as prefeituras contratarem o último catador. Há uma mudança grande de quando ele sai do lixão e vai para o galpão, em termos de renda e forma de trabalhar”, analisou.