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8 de abril de 2018

Conheça o Projeto Cuidar: iniciativa fomentou atenção à saúde dos catadores da Redesol MG

Diálogo com catadoras e catadores foi base do diagnóstico realizado (Foto: Divulgação/Unicicla)

Estabelecer o cuidado prévio com a saúde é fundamental para uma vida saudável, mas, em alguns casos, a falta de acesso e de informação é um empecilho para mantê-lo em dia. Em 7 de abril é comemorado o Dia Mundial da Saúde e neste ano a temática é “Saúde universal: para todos, em todos os lugares”, direito do cidadão reconhecido na Constituição da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 1946.

A Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) conta ao leitor sobre a iniciativa Projeto Cuidar, desenvolvida pela rede global WIEGO (Mulheres no Emprego Informal: Globalizando e Organizando) em alguns dos empreendimentos filiados, em 2017, com o objetivo de diagnosticar a saúde ocupacional dos catadores.

O projeto teve como objetivo analisar a saúde, os riscos e problemas enfrentados no local de trabalho e como os trabalhadores lidam com eles. Serviu como um processo de levantamento de informações e um momento de reflexão coletiva, por meio da troca de informações entre os cooperados e equipe.

De acordo com a presidente da Redesol MG e da Comunidade Associada para Reciclagem de Materiais da Região da Pampulha (Comarp), Ivaneide da Silva Souza, a iniciativa conseguiu cativar os participantes. “Eu percebi o envolvimento deles, participando e gostando. Inicialmente achei que o projeto teria muitas dificuldades com a contribuição dos cooperados, mas percebemos que eles estão preocupados com a saúde e em melhorar a forma de trabalho”, revelou.

A atividade desenvolvida pelos trabalhadores com materiais recicláveis, seja catador de rua ou de empreendimentos de triagem, requer esforço constante. Se realizado de forma que não contempla a ergonomia, de médio a longo prazo o corpo vai sofrer consequências, como dores e desconfortos. Esse foi um dos pontos abordados pela equipe do projeto no diagnóstico.

A participação na iniciativa proporcionou algo inédito para a catadora da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla), Alaíde Soares. “Achei legal, porque foi a primeira vez que alguém nos deu esse tipo de atenção. Eu não tinha conhecimentos dos riscos que eu poderia correr no local de trabalho”, contou.

Equipe do projeto com as catadoras da Ascar, de Raposos (Foto: Reprodução)

Para a catadora da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Raposos (Ascar), Maria de Fátima Silva, a participação fomentou o desejo de se dedicar mais às questões envolvendo a saúde. “Essa iniciativa muda nosso senso de segurança no dia a dia. Dá mais tranquilidade, porque a atenção com a saúde passa a ser algo contínuo”, disse.

Segundo o Diretor Geral da Unicicla, Anderson Viana, os associados aprovaram o projeto. “Para nós é importante porque fez um diagnóstico de toda a situação e condições de saúde da associação. Eles se sentiram acolhidos. Foi um avanço para o empreendimento”, disse.

O Projeto Cuidar

Resultados foram apresentados durante realização do IV Encare, em 2017 (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A iniciativa foi desenvolvida pelas coordenadoras Sonia Dias e Ana Carolina Ogando, e pelas pesquisadoras Fabiana Goulart e Juliana Gonçalves. Ela surgiu em 2012 do grupo de discussão das mulheres que participavam do Projeto Gênero e Lixo, parceria entre a WIEGO, Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (Insea), Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) e Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (NEPEM), da UFMG, com o intuito de abordar a saúde da mulher.

Segundo as coordenadoras, a demanda pela atenção à saúde dos catadores surgiu durante a participação em encontros da Redesol MG. Interesse esse que é comum com os objetivos dos programas de Proteção Social e Políticas Urbanas da WIEGO, que visa diagnosticar os desafios e riscos de saúde que catadoras e outras trabalhadoras informais enfrentam no mundo.

23 de março de 2018

Cooperativas da Redesol MG realizam mutirão solidário, em Sabará

Ação reforçou a solidariedade entre as filiadas (Foto: Diego Cota/Redesol MG)
Cooperação e união estiveram presentes nos sábados (17/02, 24/02 e 17/03), que foram de muito trabalho para os cooperados da Cooperativa Central Rede Solidária dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG). Catadores de quatro empreendimentos concentraram os esforços em um mutirão na Associação Mãos Amigas dos Trabalhadores com Material Reciclável da Comunidade de Maquiné, de Sabará.

Nos últimos meses, a quantidade de material reciclável, proveniente da coleta seletiva municipal, acumulou no galpão, tornando necessário o auxílio da força de trabalho em rede. Contribuíram os catadores da Comarp, Coopemar e Coopersoli, de Belo Horizonte, e da Acamares, de Sarzedo.

A catadora da Associação Mãos Amigas, Genessi Ferreira, relembrou a luta histórica da entidade e aprovou a ação em rede. “O espaço foi conseguido com muito esforço. Desde que entramos na Redesol, em 2013, que corremos atrás. Esse trabalho de mobilização começou na rede e vai ser o primeiro de muitos que estão por vir”, disse.
Antes do trabalho, o grupo planejava os objetivos da atividade (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A atividade integra as ações do Programa Novo Ciclo, que está em execução na rede. A iniciativa visa auxiliar os empreendimentos na logística de produção e na negociação direta com a indústria.

Importância do empreendimento para avanço da Redesol


Localizado no Aterro Sanitário de Macaúbas, a Associação Mãos Amigas está a poucos minutos de um dos principais corredores de escoamento de cargas do estado, a BR-381. Esse fato torna a localização estratégica para futuras comercializações.

Para a rede, a região é importante, porque o “Corredor 381” engloba também a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Nova União (Unicicla) e a Associação dos Gestores/Catadores Ambientais de Caeté (Agea). 

De acordo com assessor técnico da Redesol, pelo Programa Novo Ciclo, Lélis Fonseca, a dimensão do galpão de Sabará é um fator relevante para os objetivos traçados. “O espaço disponível tem potencial para estocar grande quantidade de material, facilitando assim a venda direta”, apontou.

Galpão da associação após segundo dia de mutirão (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

11 de dezembro de 2017

Programa BB Educar: catadores de empreendimento da Redesol MG são alfabetizados


Foto: Diego Cota/Redesol MG

O processo de alfabetização é uma etapa importante para que o indivíduo possa compreender os códigos da sociedade. A falta dela impede que a pessoa entenda muita coisa. Ou seja, alfabetizar é levar luz ao mundo de alguém, como abordou a Presidente da Comunidade Associada Para Reciclagem de Materiais da Região da Pampulha (Comarp), Ivaneide da Silva Souza.

Na terça-feira (05/12), quatro alunos de uma turma formada na cooperativa receberam o diploma de conclusão do curso de alfabetização, ministrado por voluntários da Fundação Banco do Brasil, por meio do Programa BB Educar, voltado para jovens e adultos. A cerimônia aconteceu no auditório do Branco do Brasil, localizado na Rua Rio de Janeiro, Centro de Belo Horizonte.
Cooperados receberam o certificado de conclusão do curso (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

A cooperada da Comarp Ângela Aparecida de Souza mora na cidade de Ribeirão das Neves e, para trabalhar, precisa pegar dois ônibus. Uma de suas dificuldades era compreender os letreiros e números, uma realidade que o BB Educar ajudou a melhorar. “Nele aprendi a ler, a contar dinheiro, a conhecer os números dos ônibus, que eu não sabia”, contou.

Ela relembra que, antes de ser alfabetizada, ficava vulnerável às pessoas que poderiam tirar proveito da sua falta de instrução para contar o dinheiro. “Eu pagava uma coisa, eles me voltavam o troco e eu não sabia se estava certo. Muita gente se aproveitou disso. Mas agora eu já sei contar o dinheiro e quanto que me voltam de troco. A escola foi tipo uma lição de vida”, revelou.

A cooperada Lavina Vieira da Cruz, 66, aprendeu bastante com o curso, porque antes sabia apenas assinar seu nome. Ela não conhecia as letras do alfabeto. “Agora sei todas elas”, disse com um simpático olhar de gratidão. “Nessas aulas que proporcionaram pra nós, deu pra aprender bastante”, contou.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Para quem não vive a situação do analfabetismo, talvez não seja tão simples assimilar, mas Lavina, com sua experiência de vida, resumiu. “A gente que não sabe nem assinar o nome direito, que não sabe nenhuma palavra, a gente é cego. Muitas coisas que aprendemos, conhecemos através da leitura, de uma explicação”, explicou.

Sede de aprendizado reforça desejo de continuidade entre os alfabetizados

A vontade unânime entre os formados é de dar continuidade aos estudos. Infelizmente Ângela não entra nos requisitos para se tornar uma marinheira, seu sonho de infância, mas ela logo recorreu ao seu plano B. “Vou continuar estudando. Quero ser uma advogada ou uma engenheira. O sonho mesmo era ser uma marinheira, mas a idade não dá”, disse.

A cooperada Marta Lúcia da Silva, 55, demonstrava resistência quando alguém sugeria para que ela estudasse. Agora que venceu a primeira barreira, quer aproveitar a comodidade para prosseguir nos estudos. “As pessoas falavam para eu estudar, mas eu dizia que não iria mexer com isso. Depois que comecei, foi uma coisa maravilhosa. Perto da minha casa tem uma escola, ela é de noite e tem aulas todos os dias da semana. Participar foi muito bom, é uma motivação a mais para continuar”, contou.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Já a parede da casa do funcionário da CBR, Cláudio Coimbra, 43, vai ganhar um destaque. Segundo ele, seu diploma será pendurado lá para que possam ver sua conquista. Ele, que completou a turma alfabetizada na Comarp, contou que já sabia um pouco, mas entrou no curso para aprender mais, reforçando seus conhecimentos.

Foto: Diego Cota/Redesol MG

Iniciativa BB Educar

O Programa é voltado para a alfabetização de jovens e adultos de setores vulneráveis da sociedade, entre eles, os catadores de materiais recicláveis e seus familiares, como uma ferramenta a mais para fortalecer a cidadania e os processos produtivos. O grupo de professores é capacitado pela Fundação Banco do Brasil e formado por servidores aposentados do Banco do Brasil. A atividade é realizada de forma voluntária.

Daisy Dias Lopes faz parte do time de alfabetizadoras voluntárias que ministraram o curso na Comarp. Segundo ela, a filosofia de ensino adotada sempre visa o crescimento do indivíduo. “Nós colocamos todo o nosso desejo de contribuir com a sociedade e por entender, de acordo com a pedagogia de Paulo Freire, que as pessoas às vezes não tiveram oportunidades. Elas sempre terão condições de crescer, aprender e sair dessa ‘escuridão’”, explicou.

O curso na Comarp iniciou em agosto de 2016 e finalizou em novembro deste ano, com aulas ministradas aos sábados. “Nosso objetivo era trabalhar a alfabetização, para que eles saíssem de lá lendo, escrevendo e com noções de matemática. Em uma roda de cultura, eles tinham tempo de conhecer gêneros literários. Pontuamos também questões do direito, cidadania, meio ambiente, sempre encaixando como sendo motivos para aprendizagem”, revelou Daisy.

Lavina agora carrega um enorme sentimento de gratidão aos alfabetizadores voluntários. “Deixo aos professores o maior agradecimento da minha vida, que Deus ilumine todos que empenharam e nos ajudaram, que ficaram com nós ali o tempo todo, nos aguentando. A paciência delas foi fundamental pra nós. Foi tudo maravilhoso”, agradeceu.

16 de outubro de 2017

Redesol Informa: Outubro/2017

Arte: Diego Cota/Redesol MG

Em setembro, os empreendimentos filiados à Cooperativa Central Rede Solidária de Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG) demonstraram, mais uma vez, sua fundamental participação para o desenvolvimento do setor da reciclagem no estado.

A Redesol mostrou o avanço da Comunidade Associada para Reciclagem de Materiais da Região da Pampulha (Comarp) na melhoria das condições de trabalho com a implantação da esteira no processo de triagem.


Para avançar é necessário diálogo e conscientização dos atores da sociedade. Na região metropolitana de Belo Horizonte, associações que integram a rede desempenham o importante papel de integração social.


Viu como é bonito esse trabalho? Para ler essas e outras informações, confira o informativo desenvolvido pela Redesol e acompanhe o nosso site.

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9 de outubro de 2017

Filiada à Redesol MG, Comarp inaugura processo de triagem por esteira

Modernização no empreendimento se deu por meio de projeto financiado pela Fundação Banco do Brasil e contou com apoio da UFMG e PBH

Inauguração contou com parceiros ligados ao setor da reciclagem (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Modernizar para tornar sólida a atividade realizada no galpão e proporcionar melhores condições de trabalho aos recicladores. É com esse objetivo que a Comunidade Associada para Reciclagem de Materiais da Região da Pampulha (Comarp), empreendimento filiado à Cooperativa Central Rede Solidária de Trabalhadores de Materiais Recicláveis de Minas Gerais (Redesol MG), inaugurou, na última quarta-feira de setembro (27/09), seu processo de triagem por esteira.

A adaptação do espaço e posterior instalação do maquinário se deram por meio do Projeto “Modernização do galpão de triagem da Comarp Aquisição de esteira”, iniciativa financiada pela Fundação Banco do Brasil, com apoio técnico da Escola de Engenharia, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), por meio da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

A cerimônia de inauguração foi realizada na unidade sede da Comarp, situada na Avenida Antônio Carlos, 4070, Bairro São Francisco, em​ Belo Horizonte/MG. A ocasião foi acompanhada pelos cooperados, por representantes da PBH, empresas parceiras e empreendimentos econômicos solidários da capital mineira e região metropolitana.

Há um mês funcionando no galpão da cooperativa, a esteira já proporciona benefícios no dia a dia do trabalhador, como contou a Diretora Presidente da Redesol e Comarp, Ivaneide Souza. “Já vemos a melhoria na qualidade de vida dos catadores, porque a forma de triagem é diferente da anterior, que era no chão. Neste novo modelo, aumentamos a produtividade e conseguimos ter melhor logística e organização no galpão”, disse.
Ivaneide Souza e Osvaldo Machado, da PBH, inauguraram maquinário da Comarp


Presente no evento, a Diretora de Planejamento da SLU, Patrícia Batista, destacou a importante conquista da Comarp para a autarquia e aos cooperados que trabalham na unidade do empreendimento. “É muito importante, porque é um dos objetivos implantar tecnologia nos galpões de reciclagem. Em uma esteira como essa, você recicla um volume enorme de material com condições de trabalho melhores do que a original”, afirmou.

Modernização no modo de trabalhar e mudança positiva na rotina


Contar com uma esteira que auxilie o trabalho de triagem de recicláveis é uma realidade ainda distante na maioria dos empreendimentos. Boa parte deles realiza o processo apenas de forma manual. Assim, o catador recolhe o material de um montante depositado no chão e separa por tipo ​em um recipiente específico para cada reciclável.

Antes, a atividade era realizada manualmente e fazia com que os catadores adotassem posturas corporais inadequadas. Segundo a Diretora Financeira d​a Comarp, Débora Cristina Pereira, as queixas devido a dores diminuíram após a instalação do maquinário. “A esteira facilita o trabalho. Depois de instalado, os cooperados passaram a reclamar menos de dores em decorrência da postura no trabalho”, contou.

​A novidade deixou a atividade focada n​o empreendimento​, como destacou o cooperado Hélio Joaquim dos Santos, de 50 anos. “Com a esteira, o trabalho ficou melhor, porque você só tem que se preocupar com o tipo de reciclável que separa. O trabalhador fica posicionado em um local fixo e ao seu lado estão os bags de um determinado material”, disse.

Além disso, a instalação da esteira mudou a interação entre os cooperados no dia a dia do trabalho. Segundo Débora, a necessidade de estabelecer um horário em comum contribuiu para aumentar a união do grupo. “Antes, era cada um por si, inclusive nos horários destinados à alimentação. Com a esteira, foi necessário o estabelecimento de horários próprios para o almoço. Há uma comunhão maior, eles passaram a conversar mais entre si”, revelou.


Esteira mudou o formato de trabalho adotado na Comarp (Foto: Diego Cota/Redesol MG)

Exemplo para empreendimentos filiados à Redesol


A atuação em rede também proporciona o espaço para troca de boas ações e experiências. A aquisição de maquinário para o trabalho com reciclagem tem a intenção de gerar melhores condições de trabalho e aumentar a produção. Uma das metas da Redesol, como central dos empreendimentos, é realizar a comercialização diretamente com o setor industrial.

Para Ivaneide Souza, ​a​ conquista da Comarp fomenta o desejo de replicar a iniciativa nos demais filiados. “Nosso objetivo é que possa melhorar o resultado para a cooperativa e, posteriormente, implantar em outras que integram a Redesol. Buscamos aumentar o volume de produção para que possamos alcançar a indústria”, disse.

A Comarp é o segundo empreendimento filiado a Redesol a contar com uma esteira no processo de triagem. O primeiro foi a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Região Oeste de Belo Horizonte (Coopemar Oeste), que, em julho deste ano, recebeu da Tetra Pak uma esteira devido ao sucesso na comercialização de embalagens longa vida.